Rodeado por miniaturas de aviões, carros e alguns poucos brinquedos, além de quadros com prêmios, em uma sala no sétimo andar do Paço Municipal, o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), está satisfeito com o que foi feito na metade do mandato, mas admite ter ainda muito a fazer.
As metas, segundo ele, são de manter as finanças públicas em dia, a pujança econômica da cidade e os investimentos em setores estratégicos, como educação, saúde, mobilidade, segurança e na área social.
“Hoje na cidade temos em torno de meio bilhão de reais de obras em andamento, em educação, mobilidade, saúde e social”, disse Anderson.
Nessa entrevista, ele faz um balanço da metade do mandato e fala sobre mobilidade, o IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal), investimentos em educação e em como quer deixar a cidade. Também crítica o PT e aposta no crescimento de São José. Confira.
Que balanço o sr. faz da metade do mandato?
O balanço é positivo e tudo aquilo que nos comprometemos na campanha, Felicio e eu, no plano de gestão, a gente conseguiu dar início ao projeto e estão dentro do planejamento, para que possamos cumprir. Temos vários projetos em andamento, do ponto de vista de programas, obras e mobilidade. E o conceito é de entregar mais do que nos comprometemos. Fazer todo esforço pelo equilíbrio financeiro e uma economia pujante, incentivando e fomentando o crescimento econômico. Fechamos o segundo ano das finanças públicas de forma positiva, o que dá tranquilidade para continuar o planejamento. Investir sem comprometer o futuro da cidade.
Quais as maiores conquistas?
A implementação da Educação 5.0, que começamos nessa gestão, a Escola Ativa que dobramos o número de alunos na educação esportiva no contraturno e o ensino de tempo integral, que é diferente da escola de tempo integral. Foram investidos mais de R$ 60 milhões na educação. Há as parcerias de contraturno com a FCCC em atividades culturais, de arte e música, e com a Fundhas, além dos profissionais que apoiam a educação especial ao lado do professor. E toda a parte de tecnologia e inovação nas escolas.
Hoje, estamos com mais e R$ 240 milhões em andamento em obras na Educação, com ampliação, readequação e inovação das escolas, para transformá-las em Educação 5.0. Auxilia os alunos e os professores. Demos um grande passo na Educação. Contratamos mais de 1.000 professores por concurso público e foram mais de 1.200 profissionais contratados para auxiliar os alunos em sala. Estamos fazendo esse investimento na Educação que é uma prioridade.
Prefeitura retomou a licitação para o novo transporte. Qual a expectativa?
Publicamos o edital em 9 de fevereiro da locação dos veículos, e foi um grande passo. Começamos o processo em 2020 com as audiências públicas e fizemos uma nova proposta para a cidade. O sistema hoje não fica em pé do ponto de vista financeiro. A tarifa é muito cara para o usuário e um valor baixo para quem recebe, a conta não fecha. Na pandemia, isso se agravou muito mais. Pela primeira vez na história o governo federal pagou um auxílio aos municípios.
Não dá para ficar esperando o governo federal tomar alguma atitude e apostamos num novo modelo. A frota é 100% elétrica e teremos todas as vantagens ambientais. Já temos a experiência com o VLP, que é uma das grandes conquistas. Hoje é outro modelo: locação de veículos e uma Fintech que cuidará da parte econômica, do dinheiro que é do usuário. Acreditamos que é um modelo diferente das concessões, mas financeiramente é viável e não temos que onerar o usuário. Hoje temos uma tarifa técnica aqui que chega a R$ 6,90, que é quanto deveria custar apenas para zerar os custos.
Os custos do transporte são muitos altos. As empresas de ônibus não tem nenhum tipo de subsídio. Acreditamos que até o final do ano a gente faz essa transição e teremos a empresa com a locação dos veículos. Somos a primeira cidade do país que vai alugar 400 ônibus. Passamos os últimos meses avaliando o mercado e houve movimentação. Uma empresa brasileira voltou a fabricar ônibus elétricos. O nosso movimento fez com que outras capitais se movimentassem na direção da frota elétrica. Os ônibus hoje são desenvolvidos para transportar carga e não pessoas. Os elétricos foram concebidos para transportar pessoas, com muito mais tecnologia, segurança e conforto para o usuário.
Quem será responsável pelos ônibus?
A empresa que será contratada para operar os ônibus. Ela vai passar por uma avaliação mensal na operação da frota que não é dela. Isso é importante. Os veículos têm tecnologia embarcada e poderemos fazer a gestão da maneira do motorista ao volante. Teremos um controle muito maior do sistema, com zelo e cuidado com os veículos. Temos bons profissionais aqui na cidade no transporte público. Eles transportam vidas, e têm que ser bem treinados e qualificados. Vamos exigir ainda mais o controle da frota, mantendo de forma adequada.
Cobrador vai continuar?
Uma parte sim e outra não. O VLP funciona sem cobrador e nem catraca nas estações. Acreditamos no usuário, que entra no veículo e sabe a sua responsabilidade de pegar o cartão e passar no validador. Temos pessoas orientando, mas não teremos mais daqui a pouco. Acredito no usuário. Quem não validar, outro vai pagar essa conta. Mas teremos fiscalização nesses carros e se alguém for pego sem o pagamento será penalizado. Deixaremos de investir em R$ 9 milhões gastos em catracas. Os usuários têm que ter essa consciência. Mais de 90% do sistema é pago pelos cartões e o novo sistema aceitará várias formas de pagamento, com outros cartões e QRCode. Haverá carros com ajudante de borda. Essa empresa que será contratada também vai operar a Linha Verde.
Quando será contratada a Fintech?
Estamos com o edital pronto e aguardando. Porém, a Urbam está fazendo um estudo sobre a capacidade dela em assumir esse trabalho. Ela tem essa expertise de tecnologia e já criou o UTC (Urbam Technology Center), que cuida do 156 da prefeitura e de toda a parte de dados e indicadores do município. Ela está se qualificando e pode assumir essa parte, com um custo menor.
Apenas em 2021 e 2022, a prefeitura acumulou uma dívida de R$ 165 milhões com o IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal), que está tentando parcelar em 20 anos, e outra dívida, de R$ 200 milhões. Ou seja, isso dá R$ 365 milhões em dois anos. Como a Prefeitura pretende pagar essa dívida dos anos anteriores e também evitar que esse rombo continue a aumentar daqui pra frente?
Não é calote, que é quando pego algo e não pago. A lei me permite que, se o instituto der prejuízo, o município possa parcelar o que tiver que pagar. Essa é uma decisão do prefeito. O país sofre com a parte econômica nesses dois anos e as aplicações financeiras do instituto não estão rendendo o suficiente para pagar a despesa. O instituto tem R$ 2 bilhões aplicados que estão dando prejuízo. Não vou colocar mais para aumentar o prejuízo. Preciso ter a decisão de pagar à vista ou parcelar. Como gestor do dinheiro público, não tenho como aumentar esse prejuízo. Quando a gente faz o parcelamento, é bom para o instituto, pois terá uma parcela mensal, uma receita fixa por mês. Vamos conseguir melhorar e garantir o futuro do instituto.
Fizemos várias ações no instituto para melhorar. Dos R$ 200 milhões do ano passado, devo parcelar uma parte do valor e pagar à vista, parcelando o restante. Fizemos também algumas alterações para garantir o salário dos servidores na ativa e aposentados. Não há aposentadoria acima de R$ 7.000, quem quiser acima tem que fazer uma complementar. Aumentamos de 26% para 28% do aporte patronal. Os servidores têm descontado o mínimo, de 14%. Pela lei, poderíamos chegar a 20%, mas mantemos o desconto mínimo. Pela primeira vez, colocamos o instituto no orçamento na parte de repasse de recursos financeiros, como para a Câmara, Fundhas e FCCR. Previsão de R$ 100 milhões por ano, caso necessite, e 2% a mais do que aumentamos no patronal.
Mexemos na lei também para comprar vidas. Há dois grupos no instituto: o de maioria de aposentados e o dos servidores ativos. O primeiro é deficitário e o segundo, superavitário, que comprou vidas do primeiro grupo, para termos o equilíbrio contábil do instituto. A gente está fazendo todos os esforços para melhorar o instituto. Todos os que estão lá são qualificados. No governo do PT, não fizeram investimento e R$ 4 milhões foram embora, perdidos. Também não repassou a patronal, que é calote, Hoje pagamos essa conta, mas é uma página virada. Temos que fazer o que é correto. Nunca precisamos mexer e diminuir o salário do servidor.
Orçamento de 2024 vai ser recorde. Qual a expectativa de crescimento?
Hoje o orçamento está em R$ 4,3 bilhões e vai aumentar pelas correções dos impostos. A questão do ISS vem crescendo ao longo dos anos e, na pandemia, pelas compras em aplicativo, gerou muita receita para a prefeitura. Várias empresas de comércio e serviços se instalaram na cidade e trarão mais receitas. Conseguimos fazer um trabalho importante na pandemia e aumentamos o número de empregos e de empresas instaladas.
A expectativa para esse ano é de diminuir a ‘luz amarela’ acesa. A única autonomia que tenho como controlar é a despesa, porque a receita depende de variáveis e a economia do país. Algumas empresas esperam para investir com um governo novo. A despesa eu tenho o controle e posso gerenciar, e trabalhamos diariamente fazendo contenção de despesa. Aqui a gente paga em dia.
Como está a questão do Banhado?
Aguardamos a decisão judicial após a liminar que saiu, pelo STF, que suspendeu o cumprimento da liminar, portanto não há uma decisão. Estamos aguardando os prazos e encaminhando as informações necessárias. A decisão deve sair nos próximos dias e acredito que vai permitir que continuemos a tirar as pessoas do Banhado, onde não há condição de morar.
Precisamos fazer com que o Banhado seja de todos, com um parque. Uma minoria de lá usa aquelas famílias como escudo, ameaçando e pressionando. Queremos que aquelas pessoas tenham uma condição de vida melhor, que está dando isso é a cidade. A situação no Banhado é inabitável. Temos vários programas e as famílias estão saindo de lá. Muitas sofrem ameaças para continuar lá. Primeiro existem lideranças que criam expectativas falsas para aquelas pessoas. Não tem como viver naquela condição. A cidade quer cuidar daquelas pessoas.
Vai continuar viajando para ‘vender’ a cidade no exterior?
Sim, vou para agora para Portugal. Teremos grande evento no Parque Tecnológico que será um grande network. Depois de Barcelona, recebemos três empresas e duas estão bem próximas de firmar parcerias com empresas daqui. Temos oferecer o que temos de melhor, a qualificação da nossa mão de obra, a qualificação das empresas em tecnologia e inovação e o Parque Tecnológico. Temos parcerias com vários países. Vou usar essas oportunidades de levar a bandeira de São José dos Campos e atrair investimentos e negócios.
Com as chuvas, vimos muitos pontos de alagamento?
Não parar os investimentos em infraestruturas e galerias, que são prioridades. No Jardim Augusta, mais de R$ 15 milhões e problema resolvido, como DCTA. Rua Turquia e tantas outras áreas. Vale do Sol está em obras, Jardim das Indústrias conseguimos resolver, na rua Porto Novo na Cidade Jardim, também na Andrômeda com a Cidade Jardim, na região Norte em três pontos.
Tem alguns casos que acontecem e é inesperado, e aí a prefeitura faz a intervenção. Temos mais de R$ 10 milhões na região sul com obra de galeria, na estrada velha dentro de um posto. Trouxe muito incômodo para um residencial no final do ano passado. No Galo Branco nos chamou a atenção e foi uma chuva muito forte. Graças a Deus não houve vítimas, mas perdas materiais. Já estamos identificando com nossa equipe de engenheiros para ver o que pode fazer. Temos obras também na região central, com troca das galerias. É investimento, e muitos prefeitos não gostam de fazer. Ao longo de quatro anos, foram R$ 35 milhões para refazer galerias.
Como manter São José com a segurança?
Cada vez que nossos indicadores caem, a gente capacita e moderniza ainda mais, principalmente a parte de inteligência das forças de segurança. Bandido não tem vez em São José, temos vigilância 24h. Temos uma cidade com segurança, inteligência e investimento em tecnologia. Homens e mulheres fazendo um grande trabalho na segurança pública. Prezamos pela qualidade de vida. Todas as forças trabalham de forma unida e integrada. A prefeitura investe R$ 1,5 milhão por mês no CSI e em toda a estrutura de câmeras na cidade, a parte de tecnologia.
Quantos procurados pela Justiça de outros estados foram capturados aqui por causa das câmeras. Nosso sistema, nos últimos 12 meses, deu mais de 1.200 alertas. Quando aperta aqui, o bandido vai mudando de região. Quero que a nossa região seja segura, porque temos uma capacidade muito grande de turismo. O governo estadual tem isso em mente de melhorar a segurança na nossa região, com um cinturão de câmeras. A Agemvale também está conversando com todos os prefeitos para implementar a questão de segurança, e trabalhar de forma integrada.
O que dizer da denúncia da PGJ que apontou execesso de comissionados na prefeitura?
Não dá para entender esse apontamento de desproporcional. Temos 9.000 servidores concursados e somos o município com o menor percentual de comissionados. Fizemos uma reforma administrativa em 2017 e diminuímos a máquina pública. O número é suficiente para implementar políticas públicas, Hoje, 30% desses cargos são ocupados por servidores de carreiras. Vamos defender novamente na Justiça e mostrar que temos o menor número de cargos comissionados. Já trabalhamos de forma enxuta.
Vai concorrer à reeleição?
Temos que trabalhar muito até lá.
Como quer deixar a cidade?
Tenho uma visão bem bacana da parte urbana da cidade, com prédios, casas e comércios. Na minha ex-sala, vejo a Serra da Mantiqueira. Quando o céu está limpo, dou um pulo na sala da governança. Vejo que é uma cidade que não para, pujante e quero deixar uma cidade em que o cidadão tenha cada vez mais orgulho de morar em São José.
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Maria Rita 11/02/2023\"...manter as finanças públicas em dia\"??? Às custas de quem?