HOMICÍDIOS

Capital da violência, Vale tem cidades com bairros com maior taxa de homicídios

Por Xandu Alves | São José dos Campos
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Divulgação
Polícia Militar
Polícia Militar

A ‘matrioska’ da violência.

Para o povo russo, a ‘matrioska’ – série de bonecas colocadas uma dentro das outras – simboliza a maternidade, amor e amizade. No Vale do Paraíba, a violência tem se transformado numa espécie de ‘boneca russa’, com as violências se encaixando uma dentro das outras.

A região mais violenta do estado de São Paulo abriga as sete cidades paulistas com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes que, por sua vez, registram os bairros com maior número de vítimas de homicídio da região.

Como na ‘matrioska’, a violência vai se encaixando uma na outra até chegar perto do cidadão, no bairro onde mora, cuja localidade está entre as mais violentas do estado.

Bairros das cidades do Vale que lideram o ranking paulista da violência são os que desafiam a segurança pública atualmente. Tanto que o governo estadual prepara um plano específico para a região, que deve ser apresentado ainda neste começo de ano.

Sete cidades da região estão no topo da violência em São Paulo, com Cruzeiro liderando todas elas. Na cidade, de acordo com dados oficiais da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), 39,81 vítimas de homicídio por 100 mil habitantes foram registradas no ano passado. A taxa da capital São Paulo é 4,79.

Em Cruzeiro, o crime se concentra na área do 2º DP (Distrito Policial), na região do bairro Retiro da Mantiqueira. Foram 17 vítimas de homicídio registradas ali em 2022, 52% do total da cidade (33).

O 1º DP, que atende a região central de Cruzeiro, tem outras nove vítimas assassinadas, 27% da totalidade. No 3º DP, na Vila Brasil, mais sete ocorrências e 21% do total.

“A polícia não vencerá essa guerra sozinha. É necessário que outros atores da sociedade também contribuam”, disse o delegado seccional de Cruzeiro, João Paulo de Oliveira Abreu, que assumiu o cargo em fevereiro do ano passado (leia texto nesta página).

Segunda do ranking estadual, Lorena tem 36,86 vítimas de homicídio por 100 mil e a maior parte dos registros no 2º DP, que atende a região central. São 18 vítimas de um total de 33, 53% da totalidade.

O 1º DP aparece em segundo, com 12 vítimas e 35% do total. O distrito atende a região da Vila Geny, um dos bairros que desafia a segurança na região.

Com taxa de 25,91 vítimas por 100 mil, Caraguatatuba tem seu mapa da violência concentrado no 1º DP, na região do Porto Novo, com 21 homicídios de um total de 31, nada menos do que 69%. A Delegacia Central traz outras 10 vítimas (31%).

Em Guaratinguetá, que tem taxa de 17,34, os registros estão mais equilibrados, com predominância do 1º DP, na região central – nove vítimas de um total de 21 (43%). Cobrindo os bairros Vila Paraíba e Pedregulho, entre os mais populosos, o 2 º DP foi responsável pelo registro de sete homicídios em 2022, 33% da totalidade.

SÃO JOSÉ

Nos bairros mais violentos de Cruzeiro, Lorena e Caraguatatuba, o número de mortes em assassinatos supera os registros das regiões leste (14 vítimas) e sul (13) de São José dos Campos, as mais violentas na maior cidade da região.

O mesmo ocorre com Taubaté, que já esteve entre as 10 cidades paulistas mais violentas e caiu para a 18º colocação no ano passado, com 12,51 vítimas por 100 mil, número ainda considerado alto – acima de 10, a OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica de “zona epidêmica para a violência”.

Na segunda maior cidade do Vale, a violência é maior no 3º DP, área do bairro Parque 3 Marias, que registrou 18 das 39 mortes na cidade em 2022 – 47,5% do total. O 2º DP (Estiva) vem na sequência, com 12 vítimas (30%).

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