CULTURA POPULAR

Ativista cultural une devoção popular, samba e vida caipira em casa de cultura de Guará

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Pessoal
Evento na Casa Cacá, em Guaratinguetá
Evento na Casa Cacá, em Guaratinguetá

O espaço vem sendo formatado ao longo do tempo, com eventos que têm o objetivo de difundir a arte e torná-la mais acessível a todos. Trata-se de um espaço independente para apresentações culturais, artes e gastronomia no bairro Vista Alegre, em Guaratinguetá.

O local leva o sobrenome do idealizador: Casa Cacá, criada e administrada por Rodrigo Cacá, que é ativista da cultural popular, artista plástico e popular, professor de capoeira, desenhista, escultor, músico e compositor.

Trata-se de um espaço que mistura devoção popular, música caipira e samba, entre outras manifestações, num carnaval de referências culturais do Vale do Paraíba, de São Paulo e do Brasil.

No dia 15 de janeiro de 2023, a Casa Cacá organizou a tradicional Festa de São Gonçalo de Amarante, com a também conhecida ‘Feijuca do Cacá’, manifestação cultural e religiosa.

Trata-se de um resgate que Cacá vem fazendo ao longo dos anos do santo português, que é padroeiro dos violeiros.

Na ocasião, o santeiro, ativista cultural e artista de Taubaté, Atila dos Santos, esculpiu a imagem de São Gonçalo de Amarante em barro, peça que vai decorar uma capela que Cacá está construindo no espaço.

“Feito em barro, suas peças têm muito história, carregam com elas a popularidade de inicio do Brasil. Muitas das pessoas nem imaginam a importância desse artista dentro de uma sociedade”, disse Cacá sobre o escultor de Taubaté.

VIOLEIROS

Reunindo dezenas de violeiros para homenagear o santo, a festa contou com Folia de Reis, dança de São Gonçalo, congada e samba de mesa, além das apresentações viola caipira.

Os devotos fizeram uma alvorada nas primeiras horas da manhã e depois procissão pelas ruas do bairro. O almoço foi a tradicional feijoada, depois teve missa de terreiro para São Gonçalo e a aguardada cerimônia com a dança para o santo, resgate que Cacá fazendo na Casa. O evento também contou com samba de roda, jongo e capoeira.

“É um trabalho de resistência cultural, de levantar as nossas raízes culturais mais profundas e trazê-las à tona, para que não morram”, contou Cacá.

“A manifestação cultural de São Gonçalo, por exemplo, recebe centenas de pessoas, devotos, grupos de tradições culturais populares que resistem com a nossa cultura”, disse o ativista cultural.

Em mês de Carnaval, a Casa Cacá se volta ao samba com a valorização de artistas locais. Como prega o ativista de Guaratinguetá, a “música do campo fala da história do nosso Brasil. E são histórias verídicas, outras fantasiosas ou amorosas”.

Para Cacá, ver a Casa com a “energia construída ao longo do tempo”, sendo erguida com “grandes amizades” e “vendo gerações passando aqui dentro” é “de dar muito orgulho em todos nós”.

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