O milagre dos pães.
Então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL) poderia ter promovido um verdadeiro ‘milagre dos pães’ no Vale do Paraíba e na RMC (Região Metropolitana de Campinas) se tivesse distribuído a iguaria pelas cidades da região com os gastos que teve com o seu cartão corporativo.
Acostumado a citar versículos bíblicos, Bolsonaro perdeu a chance de repetir o gesto de Jesus Cristo descrito na Bíblia pelos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, no episódio conhecido como ‘milagre da multiplicação dos peixes’.
Durante o mandato, o ex-presidente Bolsonaro gastou meio milhão de reais com o cartão corporativo em cidades da RMVale e da RMC. Desse total, R$ 76,6 mil foram gastos em padarias. A média de pagamento do cartão foi de R$ 9.587 por cada uma das oito vezes em que foi utilizado em padarias nas duas regiões.
As notas fiscais que detalham os gastos do ex-mandatário foram divulgadas por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). O cartão corporativo de Bolsonaro foi usado em seis cidades da RMVale (São José dos Campos, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Aparecida, Lorena e Cachoeira Paulista) e três da região de Campinas (Indaiatuba, Americana e Campinas).
Os gastos do cartão corporativo de Bolsonaro na RMVale revelam pagamentos de R$ 51,7 mil em padarias, valor que equivale à compra de 34,5 mil pães do tipo francês, o mais consumido e considerando a média de R$ 1,50 por cada pão.
Ou seja, Bolsonaro poderia ter escolhido uma de 24 cidades da região e alimentado toda a sua população com pães, de Arapeí (2.452 moradores) a Cachoeira Paulista (33,8 mil). Poderia até alimentar toda a população de oito cidades juntas, de Arapeí a Silveiras, grupo que tem 34,5 mil habitantes.
Num único gasto de R$ 15,6 mil que Bolsonaro teve em uma padaria de São José dos Campos, seria possível alimentar a população inteira de Redenção da Serra, Areias e São José do Barreiro com pães.
CAMPINAS
O cartão corporativo do então presidente Jair Bolsonaro soma gastos de R$ 24,9 mil em duas padarias de Campinas. Com esse valor, o ex-mandatário poderia ter distribuído 16,6 mil pães gratuitamente na região de Campinas, podendo dar pão a cada um dos moradores de Holambra, cidade de 15,6 mil moradores. Ou de Morungaba, com seus 13,9 mil.