VIOLÊNCIA

'Que a Justiça tenha compaixão de mim', diz mãe de Ana Lívia sobre pena de atiradora

Por Thais Perez | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
OVALE
Arquivo Pessoal
 Em março, a atiradora será avaliada psicologicamente e o juízo vai decidir se ela vai continuar na Fundação Casa ou se deve retornar ao convívio da sociedade
Em março, a atiradora será avaliada psicologicamente e o juízo vai decidir se ela vai continuar na Fundação Casa ou se deve retornar ao convívio da sociedade

Após quatro meses de dor e sofrimento, um pedido de Justiça. A mãe da estudante Ana Lívia, de 13 anos, morta dentro de casa com um tiro na nuca disparado por uma amiga de 12 anos, faz um apelo para que a atiradora seja punida exemplarmente, com a medida socioeducativa máxima.  A decisão está nas mãos da Vara de Infância e Juventude, ainda sem data definida. Em março, a atiradora será avaliada psicologicamente e o juízo vai decidir se ela vai continuar na Fundação Casa ou se deve retornar ao convívio da sociedade.

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"Espero do fundo do meu coração que a Justiça tenha ao menos um pouco de compaixão de mim e mantenha fora da sociedade", diz Jéssica Higino, mãe de Ana Lívia. Ela também apoia o fim da maioridade penal no país.

Em setembro do ano passado, Ana Lívia foi morta em seu quarto após uma discussão por ciúmes com sua amiga, com quem ia para a escola. A Justiça acatou a representação feita pelo MP (Ministério Público) e afirmou que existiu um ato infracional por motivação torpe, ou seja, que fere a moral, os bons costumes e é reprovável. Além disso, a decisão também destaca que o ato causa intranquilidade e dessossego público, "evidenciados pela conduta da jovem em se dispor a ceifar a vida da vítima como opção de resolução de conflitos pessoais".

A arma utilizada no crime pertencia a um tio da garota que respondeu a um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) e pagou uma multa de R$ 2.500.

"Que eu não a venha a sentir em relação a menor infratora a mesma sensação que tive de impunidade em relação ao tio, que simplesmente vai pagar uma multa à Justiça e hoje vive uma vida normal mesmo tendo sido negligente e contribuído com sua omissão"

INVESTIGAÇÃO.

Para esclarecer mais pontos do crime, a família de Ana Lívia solicitou a realização de um inquérito particular, feito por uma equipe de perícia, além da sua equipe jurídica, o advogado Jefferson Coutinho e a assistente jurídica Elisangela Lucio. Na investigação, a equipe espera esclarecer como a menina teve acesso à arma e como ela aprendeu a atirar.

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O tio afirmou em depoimento à Polícia Civil que escondia o revólver no fundo de uma gaveta do armário da cozinha. Em sua oitiva, a menina afirmou ter fácil acesso à arma. Ele afirmou aos investigadores que possui o costume de guardar sua arma, travada, sem munição, no fundo de uma gaveta do armário da cozinha, enrolada e camuflada, de forma bem escondida sob panos de prato. O homem disse que guarda a arma no local porque é onde ele normalmente permanece durante o dia.

CRIME.
O caso aconteceu no dia 27 de setembro, no bairro Jardim Paulista, em Taubaté, antes de Ana Lívia e a garota de 12 anos irem para a escola. Pela manhã, Lívia ligou para a mãe perguntando se a amiga podia ir até sua casa para que as duas pudessem ir para a escola juntas, de carona com a mãe de outra colega.

Horas depois, a mãe de Ana Lívia encontrou a menina já sem vida, em seu quarto. De acordo com a polícia, a menina de 12 anos confessou ter atirado contra Ana Lívia com uma arma de fogo que pertence ao seu tio, que trabalha como agente penitenciário.

Lívia foi encontrada com um tiro na nuca, com o corpo caído em cima de uma mesa de cabeceira. A menina foi encaminhada para a Fundação Casa, onde espera por julgamento para definição da medida socioeducativa que será aplicada em seu caso.

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