SEGURANÇA

Região mais violenta do interior, Vale desafia ‘muralha’ de segurança em São Paulo

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Aumento do efetivo policial é uma das promessas de Tarcísio de Freitas
Aumento do efetivo policial é uma das promessas de Tarcísio de Freitas

A Muralha Paulista.

É assim que o novo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, denominou o formato para a implantação de um sistema destinado a proteger os habitantes do estado de São Paulo da criminalidade, cujos indicadores estão em crescimento, especialmente no Vale do Paraíba – a mais violenta região do interior do estado.

Trata-se de uma metáfora para inibir todo tipo de ação criminosa, utilizando a tecnologia e empregando com inteligência os meios de repressão e investigação para reduzir a violência e combater os criminosos.

“A nossa estratégia é conectar todos os municípios, de modo a podermos avaliar qual política pública deva ser empregada de acordo com a necessidade”, disse Derrite.

No entanto, a muralha da segurança esbarra em tijolos mal colocados que insistem em ameaçar a rigidez do metafórico obstáculo à violência. Boa parte destes tijolos está na Região Metropolitana do Vale do Paraíba, atualmente o maior desafio para a ‘Muralha Paulista’.

Desde 2010 o Vale lidera o ranking estadual com a maior taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes (14,59), mais do que o dobro da média estadual (6,57).

Nenhuma outra região do interior ultrapassa a marca de 300 mortes em homicídios por ano. Em 2022, a RMVale registra 338 vítimas assassinadas contra 230 na região de Campinas, a segunda colocada.

Portanto, a efetividade da muralha dependerá do trabalho da segurança pública no Vale, cujas características dificultam a vida das polícias e dos governantes.

A região é cortada pela Rodovia Presidente Dutra, em cujo leito é transportado mais da metade do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Tanta riqueza atrai criminosos, e a estrada vira caminho para o transporte de drogas e armas entre o Rio de Janeiro e São Paulo, os dois principais mercados consumidores do país.

Outra dificuldade é a população flutuante da região, um dos destinos preferidos de turistas no estado de São Paulo. Estão no Vale a beleza das praias do Litoral Norte, a grandiosidade da Serra da Mantiqueira e a popularidade da fé católica, com espaços como o Santuário Nacional de Aparecida e a Canção Nova, capazes de atrair milhões de turistas todos os anos.

Em entrevista nesta semana, Derrite confirmou que a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) vai agir para reduzir a violência no Vale.

“O Vale é uma preocupação nossa. São Paulo vem reduzindo os homicídios de forma geral, mas há alguns pontos que nos preocupam, e a região do Vale é um deles. O primeiro ponto é a mudança da gestão, da cúpula das polícias no Estado, com policiais que tem histórico operacional, de combate ao crime e de autonomia para o delegado da área”, afirmou o secretário.

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