Os moradores da comunidade Nova Esperança, conhecida como Banhado, temem que a prefeitura de São José dos Campos realize uma operação para desocupar o local durante o período de Natal. No dia 19 de dezembro, uma decisão judicial autorizou a gestão a retirar famílias que ocupam uma área de proteção ambiental na região, que fica no centro da cidade. De acordo com a Defensoria Pública e a associação de moradores da comunidade, somente cinco famílias ficam dentro do Parque Natural Municipal do Banhado, contudo, a prefeitura nega.
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A data da decisão judicial deixou moradores aflitos por temerem que a gestão possa realizar uma ação de reintegração de posse do local durante o recesso do judiciário, que vai até o dia 9 de janeiro de 2023. "Acabou com o Natal de todo mundo aqui", disse um dos líderes comunitários, Renato Leandro.
Os moradores comparam a decisão ao processo que permitiu a retirada de famílias do Pinheirinho, episódio ocorrido no dia 20 de janeiro de 2012 em que a prefeitura de São José, junto à Polícia Militar, retirou famílias de uma área invadida na zona sul da cidade. Na época, moradores denunciaram a truculência da operação e a ação foi alvo de discussão extensa no judiciário. A Defensoria Pública, que representa os moradores na Justiça, só poderá entrar com recurso na ação após esse período.
"Nós nem sabemos que casas podem ser derrubadas. Estamos com medo de que aconteça algo, está todo mundo em alerta para o dia 25 de dezembro. A prefeitura tem esse histórico de fazer as coisas durante o recesso, como foi no Pinheirinho", afirma Elaine Lopes, outra liderança do bairro.
Após a divulgação da decisão, a Prefeitura de São José anunciou que vai oferecer um programa de auxílio para as famílias que saírem do local voluntariamente. De acordo com o prefeito Anderson Farias (PSD), a prefeitura dará um prazo de um mês para que as famílias possam decidir se aceitarão ou não a proposta.
“A princípio, tudo começará a ser mudado a partir de janeiro apenas, dia 20, que foi uma data que estipulamos. Claro que temos um prazo, é uma decisão judicial que se manda cumprir exatamente, mas vamos estipular esse tempo de quase um mês, para que no início do próximo ano a gente já possa estar com esse local, com o planejamento adiantado e definido com as pessoas”, disse o gestor.