A posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1º de janeiro de 2023 vai recolocar o Brasil no mapa mundial, depois de o país tornar-se um pária internacional sob o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).
E o recado de Lula às nações deve ser rápido, haja vista as mobilizações e os atos golpistas que acontecem no Brasil e que são estimulados pelo próprio Bolsonaro, incapaz de reconhecer a derrota e pacificar seus seguidores.
A opinião é do jurista e professor de Direito e Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), Pedro Dallari, relator e último coordenador da Comissão Nacional da Verdade.
Em artigo no Jornal da USP, Dallari avalia que a imagem do Brasil no exterior está desgastada sob Bolsonaro e que a eleição de Lula já colaborou para a mudança no clima, mas que os sinais de pacificação devem ser dados desde já, principalmente diante da repercussão de atos golpistas pró-Bolsonaro.
“Com Lula, haverá a retomada de uma presença mais ativa do Brasil nos espaços multilaterais de negociação, com a volta da tradicional postura brasileira de defesa da paz e da cooperação entre os países, dos direitos humanos e da preservação do meio ambiente”, apontou o jurista.
“Embora a posse do novo governo vá se dar em 1º de janeiro, é importante, desde já, que o futuro presidente e aqueles que se encarregarão da política externa anunciem medidas que serão adotadas no âmbito das relações internacionais de nosso país”, disse Dallari.
“Antecipando o anúncio de medidas com impacto na política externa brasileira, o novo governo permitirá que os outros países do mundo tenham conhecimento das posições que passarão a ser efetivamente defendidas pelo Brasil em 2023.”
Um dos temas que o novo governo deve defender com veemência, na avaliação de Dallari, é a dos direitos humanos, setor negligenciado e não raro atacado por Bolsonaro.
“Brasil precisa de uma posição firme em defesa dos direitos humanos em escala global, até mesmo com a condenação de práticas abusivas das ditaduras latino-americanas, como Venezuela, Nicarágua e Cuba”, disse.
“Por fim, a economia deve merecer especial atenção, com o anúncio de um relacionamento comercial amplo e aberto, dando-se prioridade para os países sul-americanos e para a valorização do Mercosul, na perspectiva da retomada da negociação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia”, completou o jurista.
PRISÃO
Em meio a ataques violentos em Brasília e o cumprimento de mais de 100 mandados em todo o país contra golpistas, o senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder do governo no Senado, disse na última semana que o presidente Jair Bolsonaro (PL) teme ser preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Por conta disso, Portinho sugeriu que fosse apresentado ao STF um habeas corpus preventivo em nome do mandatário, que continua com discursos dúbios que alimentam atos antidemocráticos.