VIOLÊNCIA

De ‘Cidades Mortas’ de Lobato aos ‘mortos nas cidades’: violência no Vale desafia SP

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / PMSJC
CSI em São José dos Campos: estrutura ajudou cidade e Estado a reduzir índices criminais; desafio agora é no Vale Histórico
CSI em São José dos Campos: estrutura ajudou cidade e Estado a reduzir índices criminais; desafio agora é no Vale Histórico

Mortos nas 'cidades mortas'.

O Vale Histórico e o Vale da Fé, regiões da RMVale protagonistas da história e da fé católica no país, tornaram-se um desafio para a segurança em São Paulo, com crescimento na quantidade de homicídios.

Cruzeiro, Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Cachoeira Paulista e Potim têm mais pessoas assassinadas do que São José dos Campos, Taubaté e Jacareí em 2022: 89 a 83.

As três cidades abrigam quase metade da população da região, enquanto os seis municípios respondem por 15% dos habitantes do Vale.

Essas cidades, que já foram chamadas de 'Fundo do Vale', foram descritas e criticadas por Monteiro Lobato no livro 'Cidades Mortas', de 1919. A obra falava da decadência econômica e política e do cotidiano 'arrastado' dos municípios.

Cento e três anos depois, as cidades chamam a atenção não pela tranquilidade, mas pelos mortos em crimes violentos que teimam em aumentar, bem além da ficção.

De acordo com a SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública), o número de vítimas em homicídio no Vale Histórico e no Vale da Fé aumenta em 11 mortes entrando as menores cidades, como Arapeí, Queluz, Canas, Piquete e Cachoeira Paulista.

Para piorar, a sub-região de Cruzeiro da RMVALE, que engloba oito cidades do Vale Histórico, é a única com aumento em cinco dos principais indicadores criminais da SSP.

Comparando o ano passado com 2012, o ano de criação da RMVale, a sub-região de Cruzeiro registra 144% a mais em vítimas de homicídio (44 a 18), um latrocínio contra nenhum, 26% de alta em estupros (34 a 27), 8% em roubos (177 a 163), 136% em roubo de veículo (26 a 11) e 28,5% em furto de veículo (63 a 49).

Na sub-região de São José, a mais adensada do Vale, os mesmos crimes caíram 44,7%, 75%, 14%, 50%, 67% e 54%.

OUTRO LADO

Preocupada com a onda de assassinatos em Cruzeiro, cujas vítimas de homicídio saltaram de 13 para 42 entre 2012 e 2021, a SSP trocou o comando da Delegacia Seccional de Cruzeiro em fevereiro de 2022.

Assumiu o delegado João Paulo de Oliveira Abreu, que atuava em delegacias da seccional e que vem trabalhando para reduzir a criminalidade.

“Temos tido uma taxa de esclarecimento de 67,7% dos homicídios sem autoria, o que comprova a eficiência do trabalho investigativo. Mas o fato é que a polícia não vencerá essa guerra sozinha. É necessário que outros atores da sociedade também contribuam”, disse Abreu.

Neste ano, de janeiro a outubro, a cidade de Cruzeiro reduziu em 13% o número de vítimas de homicídio, com 26 mortes contra 30 no mesmo período de 2021.

Segundo Abreu, na área da seccional foram até o momento 37 mortes em homicídio doloso em 2022 (contando parcialmente dezembro) contra 43 no ano passado. De janeiro a novembro, entre os dois anos, o roubo caiu 14%, o furto de veículos recuou 31% e o roubo de veículos diminuiu 46%. Apenas o furto subiu 32%.

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