CUSTO DE VIDA

Cesta básica sobe R$ 1.161 na RMVale durante o governo Bolsonaro, aponta Nupes

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Cesta básica subiu três vezes acima da inflação no Vale
Cesta básica subiu três vezes acima da inflação no Vale

O preço médio da cesta básica ficou R$ 1.161 mais caro na RMVale desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), cujo mandato começou em 1º de janeiro de 2019 e termina em 31 de dezembro de 2022.

É o que aponta levantamento de OVALE com base em dados de pesquisa mensal do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais), da Unitau (Universidade de Taubaté).

Em novembro de 2022, o preço da cesta na região chegou a R$ 2.734 contra R$ 1.573 em dezembro de 2018, último mês antes da posse de Bolsonaro.

Trata-se de um reajuste de 73,85% no valor da cesta básica entre os dois períodos, segundo os dados do Nupes.

O aumento da cesta básica no Vale desde o início do governo Bolsonaro é três vezes maior do que a inflação oficial acumulada para o mesmo período de quase quatro anos.

A inflação nesse intervalo foi de 25,36%, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é a inflação oficial do país medida pelo IBGE.

“Uma das preocupações é que o aumento no preço da cesta mais do que a variação da inflação nacional tem impacto maior na vida das pessoas com menor renda, uma vez que elas destinam, proporcionalmente, a maior parte da renda para aquisição de itens básicos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica”, diz trecho do relatório do Nupes.

INFLAÇÃO

Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, receberam ao longo do mandato muitas críticas pela volta da inflação a patamares elevados, o que corrói a capacidade de compra das famílias brasileiras, impactadas pela queda da renda na pandemia.

O chamado ‘custo Bolsonaro’ leva em conta os ataques às instituições, os discursos autoritários, falta de política econômica clara e os enfrentamentos com nações estrangeiras, que impactaram negativamente no mercado e provocaram instabilidade, consequentemente piorando o quadro inflacionário, além do rombo fiscal.

“Na minha avaliação, o tamanho do buraco [fiscal] deixado [pelo governo] é mais próximo de R$ 400 bilhões, estimado por entidades independentes, do que dos R$ 150 bilhões que o governo apresentou”, disse Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda.

PRODUTOS

Na cesta básica da RMVale, os produtos que ficaram mais caros em novembro, na comparação com outubro, foram a cebola (+22,6%), tomate (+19%) e batata (+11%).

Em um mês, a cesta de 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica medida pelo Nupes ficou 1,33% mais cara, passando de R$ 2.698 para R$ 2.734. É o nono reajuste da cesta em 11 meses de 2022, com o terceiro mês seguido de aumento nos produtos básicos.

Na comparação com novembro de 2021, a cesta ficou 21,3% mais cara na região, uma diferença de R$ 480.

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