Acusada em uma ação civil pública de cooptar irregularmente engenheiros e outros profissionais brasileiros, especialmente da região do Vale do Paraíba, a fabricante norte-americana a Boeing continua oferecendo vagas a talentos nacionais.
Em a Boeing site, a gigante oferece 33 vagas para profissionais brasileiros atualmente. Todos os cargos oferecidos, com exceção de um, são para trabalhar em São José dos Campos, capital aeroespacial do Brasil.
E é justamente nesta cidade que concentra a batalha jurídica que a Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) e a Aiab (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil) travam contra a Boeing, acusada de cooptar irregularmente profissionais brasileiros.
As entidades entraram com uma ação civil pública cível na Justiça Federal, na 3º Vara de São José dos Campos, para tentar barrar o que consideram uma contratação ilegal por parte da Boeing, que ainda não se manifestou sobre o caso.
Segundo as entidades, a cooptação de engenheiros brasileiros pela Boeing não é encarada como uma medida do livre mercado ou de concorrência legal. Pelo contrário. A ação é acusada de predatória, irregular e com potencial de atingir a soberania nacional. A fabricante é acusada de “captura sistemática e contratação de engenheiros de empresas que fazem parte da Base Industrial de Defesa do país”.
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Segundo Roberto Gallo, presidente da Abimde, a cooptação desses profissionais altamente qualificados “coloca em risco a sobrevivência dessas empresas e, sobretudo, ameaça a soberania nacional, um dos fundamentos da Constituição Federal”.
“Portanto, somos fortes no entendimento de que há ilegalidade à luz da Constituição Federal, motivo da ação civil pública. Precisamos ainda ter clareza em um dado: o setor de Defesa gera quase 300 mil empregos diretos e mais de 800 mil indiretos. Essas contratações, portanto, podem ter um amplo impacto na economia do país”, disse Gallo.
Segundo apurou OVALE, já são cerca de 300 engenheiros contratados pela Boeing e o ritmo teria se acelerado nos últimos três meses. Para cada um desses engenheiros, em efeito cascata, o setor perderia outros 45 profissionais dentro da cadeia produtiva.
“A Aiab defende a livre concorrência e o livre mercado. Mas tais princípios não são absolutos. Devem sujeitar-se a imperativos constitucionais como a soberania nacional, conforme estabelecido no artigo 170 de nossa Constituição. O que está em jogo, portanto, é algo muito maior do que quaisquer interesses individuais ou coletivos”, disse Julio Shidara, presidente da associação.
No processo, a Justiça Federal deu 10 dias para que o Ministério da Defesa se manifeste formalmente sobre o assunto, prazo que deve vencer nesta semana.
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1 Comentários
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Octavio Augusto Ferraz de Camargo Coelho 06/12/2022É só esses empresários de m...pagarem mais que a Boeing e oferecerem mais benefícios que os profissionais não vão. Muito mimimi, chora exploradores...