ELEIÇÕES

Com atos golpistas incentivados por militares, Lula vê Defesa como primeiro desafio

Por Xandu Alves | São José dos Campos
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Divulgação
Lula diante de militares em seu primeiro mandato como presidente do Brasil
Lula diante de militares em seu primeiro mandato como presidente do Brasil

Perturbação nas Forças?

Nem a fome, a desigualdade ou até mesmo a transição com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), que não reconheceu a derrota, segue atacando o processo eleitoral e nem deve passar a faixa presidencial.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem um desafio mais urgente do que os demais: pacificar os militares, que participaram ativamente e fizeram a principal base de apoio a Bolsonaro.

A primeira dúvida é a montagem do grupo de trabalho com militares e civis para a transição na área do Ministério da Defesa, que já deveria ter sido formado. Lula demonstra incerteza sobre a composição da última equipe que ainda não foi revelada.

Ao contrário das demais áreas do governo nas quais Lula vem sendo cobrado para indicar seus ministros, como a econômica, na Defesa o petista fez o caminho inverso. Já anunciou que terá José Múcio no comando da pasta.

Ex-presidente do TCU e ex-ministro de Relações Institucionais de Lula, Múcio é apontado como um habilidoso articulador político, além de ter boa relação com as Forças Armadas. A avaliação é que ele terá capacidade de reestabelecer pontes com os militares.

O futuro ministro deve ser anunciado neste início de dezembro. A expectativa no gabinete da transição é que Lula faça o anúncio de Múcio junto com a indicação dos futuros comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

“[A Defesa] é uma das pastas mais sensíveis para o próximo governo, já que os militares não possuíam tanto protagonismo político desde o fim do regime militar”, afirmou Caio Barbosa, cientista político da USP (Universidade de São Paulo), durante entrevista pela internet.

“Não parece que eles desejam atender aos desejos dos manifestantes, pois seria crime e inconstitucional, um atentado à democracia. Mas parece que eles querem se manter em uma posição privilegiada para negociar com o próximo governo, evitando mudanças que eles não anseiam”, disse o cientista político.

Para ele, o desafio de Lula é saber lidar com esse ambiente e fazer com que os militares voltem aos quartéis, sem tanto envolvimento com a política.

E o imbróglio apontado pela especialista revela que, apesar dos protestos na frente dos quartéis terem teor antidemocrático, diferentes membros das Forças Armadas, da ativa e da reserva, já se manifestaram legitimando as manifestações, o que torna o ambiente volátil entre o novo governo e parte dos militares.

Para piorar, o delírio golpista na frente dos quartéis é alimentado por rede de notícias falsas espalhadas por grupos criados e operados pelos próprios manifestantes nas redes sociais.

ATOS GOLPISTAS

Um dos momentos mais tensos entre Lula e militares ocorreu há alguns dias, quando surgiu o vídeo gravado em 24 de novembro pelo militar Ronaldo Travassos, primeiro-sargento da Marinha lotado no GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República.

Ele incentiva manifestações golpistas em frente a instalações militares e diz que Lula não subirá a rampa como novo presidente do país. Travassos ainda fala em “guerra civil” e sugere que petistas devem ser identificados.

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