NOVO GOVERNO

Com mais de 400 pessoas, equipe de transição de Lula se transforma em ‘Torre de Babel’

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Lula com membros da equipe de transição
Lula com membros da equipe de transição

Em determinada época, os homens decidiram construir uma torre que alcançasse os céus, de tão alta e imponente.

Diante da arrogância humana, Deus resolveu intervir e promover confusão entre os construtores, fazendo com que cada um falasse uma língua diferente.

“Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra”, diz trecho da Bíblia encontrado em Gênesis 11:9, que narra o mito da Torre de Babel.

A narrativa serve de metáfora para o que vem ocorrendo com a equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vendeu a eleição presidencial e toma posse a partir de 1º de janeiro, ao lado de Geraldo Alckmin (PSB), eleito vice-presidente.

Alckmin comanda a transição com o atual governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas, mas que segue contestando o resultado da eleição.

Há 320 integrantes na equipe liderada pelo ex-governador de São Paulo nascido em Pindamonhangaba, considerando os membros dos 31 grupos técnicos, coordenadores e o conselho político.

Além desses, Alckmin anunciou a participação de 99 parlamentares em grupos técnicos da transição, vindos de 13 partidos – a maioria ligada ao PT.

A legenda de Lula tem 39 nomes na equipe parlamentar da transição, com mais 13 integrantes vindos do PSD de Gilberto Kassab. A lista ainda tem membros do PSB (11 nomes), PDT (10), PC do B (7), MDB (5), Avante (4), Solidariedade (3), Pros (3), PV (2), Rede (1) e PSOL (1).

Com tantos partidos e parlamentares de diferentes matizes ideológicos e de interesses, a transição de Lula arrisca virar uma ‘Torre de Babel’, com integrantes procurando ganhar o maior espaço possível e garantir influência no novo governo.

“É uma equipe um pouco grande demais”, disse o ex-ministro Henrique Meirelles, durante evento em Nova York, nos EUA. Ele é um dos cotados a participar da equipe econômica de Lula em 2023.

Além disso, a equipe de transição enfrenta críticas de baixa diversidade, com sub-representação de mulheres, negros, indígenas e de pessoas de outros estados, sendo formada, majoritariamente, por homens, brancos, paulistas e filiados ao PT.

Dos nomes escolhidos para o gabinete de transição, 64% são homens. Os brancos representam 75%, enquanto os negros somam 18%. Há ainda 11 indígenas (3,8% do total) e quatro integrantes de origem asiática. Os grupos técnicos, conselho político e coordenações somam 207 homens e 113 mulheres – praticamente dois homens para cada mulher.

Em sua defesa, o PT disse que diversos integrantes representam "pautas coletivas". “Há uma composição plural”, afirmou a deputada federal Maria do Rosário (PT).

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