Em meio a uma aparente disputa interna entre a cúpula do PL e a ala mais radical e bolsonarista do partido, veio a público na última semana o relatório de uma empresa contratada pela legenda que sugere que a sigla vai pedir a anulação da eleição de 2022.
O documento, que tem o logotipo do PL, é mais um dos relatórios produzidos pelo IVL (Instituto Voto Legal), empresa contratada pelo partido a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL). Quatro dias antes do primeiro turno, por exemplo, a legenda já havia divulgado um relatório do IVL que apontava supostas falhas na segurança do sistema eletrônico de votação - na ocasião, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) classificou o documento como "mentiroso".
No novo relatório, que veio a público na última semana, a conclusão é de que não é "possível validar os resultados gerados em todas as urnas eletrônicas de modelos 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015".
Logo após o vazamento, no entanto, o PL, que é presidido por Valdemar Costa Neto, negou que pretenda questionar o resultado das eleições. O partido alegou que o resultado da fiscalização da sigla terminará apenas em dezembro, e que a versão do documento que foi publicada seria "obsoleta".
Internamente, o vazamento do relatório foi atribuído à ala mais radical e bolsonarista do partido, que ainda não aceitou a derrota na eleição presidencial e defende que o PL adote medidas para tentar contestar o resultado das urnas.
REGIÃO.
A divulgação do relatório também provocou atritos na região, já que dois dos profissionais que assinaram o documento - o vice-presidente do IVL, Márcio Abreu, e o engenheiro Flávio Gottardo de Oliveira - são formados pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), que tem sede em São José dos Campos.
Dois dias depois, um grupo de 30 engenheiros do ITA publicou uma carta para repudiar o relatório produzido pelo IVL. No texto, eles citam que “erros grosseiros foram encontrados no relatório”. A carta dos engenheiros contesta as análises e os dados usados pela empresa de auditoria e repudia a “metodologia, a profundidade e a qualidade técnica” do documento.
A carta assinada pelos 30 engenheiros do ITA conclui que o relatório do IVL é “superficial, limitado e não segue boas práticas de análises técnicas e científicas”.