A indústria aeronáutica foi uma das mais afetadas no mundo pela pandemia do coronavírus. A diminuição nos voos, os custos com a operação de aeronaves e os novos riscos decorrentes da doença abalaram o mercado global, especialmente companhias aéreas e fabricantes.
Estima-se que a recuperação do tráfego aéreo para níveis de 2019 ocorrerá entre 2023 e 2024. Nenhuma das crises globais anteriores à pandemia teve este impacto na indústria aeronáutica.
Terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás apenas das gigantes Boeing e Airbus, a Embraer também enfrenta turbulências.
O nível de entrega de aeronaves da fabricante com sede em São José dos Campos é o menor ao menos desde 2000, segundo série histórica da companhia.
Em número absoluto de aeronaves entregues, os anos de 2020 e 2021 estão entre os piores da Embraer, que entregou 130 e 141 aviões nestes dois períodos, respectivamente. Em 2010 e 2009, por exemplo, a fabricante entregou 244 e 237 aviões.
O ano passado já registrou uma ligeira melhora, com as entregas passando de 130 em 2020 para 141, em 2021. A média de aviões entregues por mês foi de 11,75 no ano passado, a mais alta desde 2019, que foi de 16,50.
Em 2022, o desafio reaparece e a média de entregas caiu para 8,78 aeronaves por mês até o terceiro trimestre, com 79 entregas no total – 27 jatos comerciais e 52 executivos.
A expectativa da companhia é de um grande volume de entregas no quarto trimestre do ano, o que deve impactar, positivamente, as estatísticas da Embraer.
“Mantemos a nossa projeção de entregar, neste ano, de 60 a 70 aeronaves comerciais e de 100 a 110 jatos executivos, e boa parte vai se concentrar no último trimestre do ano. Continuamos reafirmando as expectativas, mas devemos permanecer na parte inferior das projeções”, disse Antonio Garcia, vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores.