REGIÃO

Governo Doria/Garcia chega ao fim com promessas sem cumprir na RMVale

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Região se mantém no topo do ranking paulista da violência, com 14,65 vítimas de homicídio doloso por 100 mil habitantes, a maior taxa do estado
Região se mantém no topo do ranking paulista da violência, com 14,65 vítimas de homicídio doloso por 100 mil habitantes, a maior taxa do estado

Estratégica para a economia do estado de São Paulo, a Região Metropolitana do Vale do Paraíba chega ao final do governo João Doria/Rodrigo Garcia com promessas ainda não cumpridas pelos mandatários.

Garcia entrega o cargo no final de 2022, enquanto Doria deixou o Palácio dos Bandeirantes em abril deste ano para concorrer à Presidência da República, o que não se efetivou. Ele abandonou a política e saiu do PSDB.

A segurança pública foi a área com mais projetos viabilizados na RMVale na tentativa de tirar a região da liderança da violência no estado de São Paulo.

No entanto, a violência ainda continua e a região se mantém no topo do ranking paulista, com 14,65 vítimas de homicídio doloso por 100 mil habitantes, a maior taxa do estado.

A região consolida 12 anos de liderança no ranking da taxa de homicídio em território paulista. Em 2010, o Vale tinha 15,16 vítimas de homicídio para cada 100 mil habitantes, quando se tornou a maior taxa do estado.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), regiões com taxa acima de 10 vítimas por 100 mil habitantes estão em “zona epidêmica” para a violência.

O governo Doria/Garcia investiu mais de R$ 70 milhões na região com a modernização do Copom Regional e a instalação de bases das polícias Militar e Civil, mas não conseguiu tirar o Vale do posto de mais violenta do estado.

MOBILIDADE

Na região, espera-se há mais de cinco anos a implantação do Trem Intercidades, novo sistema de transporte sobre trilhos do governo estadual, inicialmente prometido para ser entregue em 2016.

O projeto foi apresentado em 2012 para ligar as regiões do Vale do Paraíba, Baixada Santista, Grande São Paulo e Campinas. O primeiro trecho a ser implantado será o entre Campinas e São Paulo.

A escolha do trecho do Trem Intercidades reflete a baixa representatividade política da RMVale em comparação a outras regiões, como Campinas.

PLANO DE DESENVOLVIMENTO

Além do Trem Intercidades, a região vê acumular diversos projetos que ainda não saíram do papel ou, se saíram, estão em fase inicial ou atrasados, caso do cinturão de câmeras de vigilância ligando as principais cidades da RMVale – projeto em fase de implantação, sem resultados práticos.

No papel desde 2015, o PDUI (Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado) da RMVale ainda segue sem materialidade. O plano é esperado desde o nascimento da Agemvale (Agência Metropolitana do Vale do Paraíba) -- órgão que tem como principais atribuições elaborar planos e executar ações na RMVale em áreas como segurança pública, saúde, turismo, infraestrutura, entre outras.

Após audiências públicas na região, a SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional) do estado de São Paulo previa apresentar o PDUI no primeiro semestre deste ano, o que ainda não ocorreu. A região aguarda a apresentação que a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) fará do PDUI ao Conselho Gestor da RMVale.

SAÚDE

A abertura do Hospital Regional do Vale Histórico e do Vale da Fé deve ficar para depois de 2024. A unidade está sendo construída em Cruzeiro. Após cobranças de prefeitos, o governo estadual anunciou apenas no segundo semestre deste ano que iria reforçar o atendimento no Hospital Frei Galvão, em Guaratinguetá, para reduzir a demanda por leitos no Vale Histórico.

“É preciso que a região mostre a sua força, mas estamos patinando como região metropolitana. Começamos a perder para Jundiaí”, disse Izaias Santana, prefeito de Jacareí.

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