Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) adotam discurso antiviolência e pedem fim aos bloqueios nas estradas do país. Eles também reconhecem a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições, ao contrário do presidente, e pedem um país pacificado e fim aos atos golpistas.
Eleito senador pelo Rio Grande do Sul, o vice-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos) afirmou em entrevista ao jornal O Globo que não existe a possibilidade de fraude nas eleições e se posicionou contra a manifestação de apoiadores do Bolsonaro que fecham estradas em todo o Brasil.
Mourão disse que "não há o que reclamar" sobre a vitória de Lula e que manifestantes bolsonaristas devem "baixar a bola".
"Nós concordamos em participar de um jogo em que o outro jogador [Lula] não deveria estar jogando. Mas, se a gente concordou, não há mais do que reclamar. A partir daí, não adianta mais chorar, nós perdemos o jogo", afirmou o vice-presidente.
Uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB) escreveu em sua conta do Twitter que nada pode ser feito para evitar a posse de Lula, ao contrário do que pregam bolsonaristas.
“Amados, muitas pessoas escrevendo, convidando, convocando, perguntando o que pode ser feito para evitar que o Presidente eleito tome posse. Compreendendo e respeitando a dor dos manifestantes, eu digo que nada pode ser feito”, apontou a advogada.
E continuou: “Os políticos eleitos na base do Presidente Bolsonaro precisam falar a verdade para a população. Precisam parar de alimentar a expectativa de que surgirá uma saída mágica, factoide propagado por quatro anos, infelizmente”.
“O melhor que a população pode fazer é se recolher. Não há nenhum fundamento para qualquer tipo de intervenção. Também não houve fraude. O povo foi iludido. Eu tentei alertar, ficaram com raiva de mim. Não me arrependo. Eu fiz o certo”, disse Janaina.
Já o pastor Silas Malafaia, um dos principais apoiadores de Bolsonaro entre os evangélicos, pediu aos apoiadores do presidente que suspendam os bloqueios de estradas.
"Protestar é um direito. O que resta ao povo brasileiro? Vamos parar, vamos acabar e voltar ao trabalho. É disso que nós precisamos", disse ele.