DEMOCRACIA

Ondas do golpe: campanha de Bolsonaro investe em narrativa de fraude em rádios

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Em coletiva no Palácio, Bolsonaro repete mantra de 'fraude nas eleições'
Em coletiva no Palácio, Bolsonaro repete mantra de 'fraude nas eleições'

Nas ondas do golpe.

Desde que foi eleito, o presidente Jair Bolsonaro (PL) faz ações marcadamente de cunho eleitoral, visando sua própria reeleição.  Haja vista as dezenas de motociatas realizadas por todo o Brasil, com gastos públicos para eventos notoriamente de campanha.

Três episódios destacam-se no universo bolsonarista como tentativas de rupturas institucionais que permitiriam a Bolsonaro se manter no poder sem ter que disputar a eleição.

O primeiro foi em 7 de setembro de 2021, com discurso golpista nas manifestações em São Paulo. Sem adesão da população, contudo, o golpe fracassou e Bolsonaro foi obrigado a baixar o tom diante do STF (Supremo Tribunal Federal), principal alvo de seus ataques.

Mais recentemente, o ex-deputado federal, apoiador e amigo de Bolsonaro resolveu levar a sério as ideias do presidente. Armou-se de fuzil e granada e recebeu com mais de 50 tiros policiais federais que vinham prendê-lo.

Se fosse morto, o bolsonarismo teria o mártir que precisava para acusar o Judiciário de perseguição e romper com as instituições democráticas.

Na última semana, a derradeira tentativa de “melar” as eleições veio na forma de denúncia de suposta fraude na vinculação de propaganda eleitoral de Bolsonaro em rádios pelo Brasil.

A campanha do presidente chegou a apontar que mais de 154 mil inserções teriam deixado de ser divulgadas em rádios, favorecendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Bolsonaro entregou uma denúncia que listava oito rádios que teriam omitido 730 inserções do candidato à reeleição. As oito emissoras negaram a suposta irregularidade e duas delas ainda apontaram que a falha foi da própria campanha de Bolsonaro, em não enviar as inserções.

Presidente do TSE, o ministro Alexandre de Moraes negou o prosseguimento da denúncia por falta de provas. Disse ele: “Se o partido não mandar [inserções de rádio], não há o que disponibilizar. Aos partidos políticos compete fiscalizar uma por uma as inserções. Uma vez verificado a não inserção, o partido aciona o TSE indicando, comprovadamente, qual a emissora, o dia e horário em que a inserção não foi feita”.

O caso tornou-se mantra nas redes bolsonaristas com o discurso de que a eleição estaria comprometida. Defende-se até o adiamento do pleito. A narrativa abre caminho para um eventual terceiro turno, em caso de derrota de Bolsonaro, que não aceitaria o resultado das urnas eletrônicas no segundo turno.

“Estamos diante de uma opção entre a civilidade e a barbárie, o obscurantismo e o autoritarismo”, disse Lilia Schwarcz, antropóloga e historiadora.

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