ELEIÇÕES 2022

Com Aparecida, urnas e ‘auditoria de Taubaté’, bolsonarista RMVale vira pedra no sapato

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Thiago Leon / Santuário Nacional
Bolsonaro cumprimenta dom Orlando Brandes no Santuário; sermões do arcebispo viram alvo de bolsonaristas
Bolsonaro cumprimenta dom Orlando Brandes no Santuário; sermões do arcebispo viram alvo de bolsonaristas

A pedra no sapato amarelo.

O Vale do Paraíba tornou-se o principal “incômodo” para a campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com Aparecida, urnas eletrônicas, ciência e ‘auditoria de Taubaté’, a bolsonarista RMVale vira a pedra no sapato para o presidente.

Bolsonaro venceu no primeiro turno da eleição em 31 das 39 cidades da região e teve 801.588 votos, o que representou 54,60% dos válidos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 504.949 votos e abocanhou 34,39% dos válidos.

O que deveria ser uma “ilha de sossego” para Bolsonaro, contudo, transformou-se num “mar de arrebentação” difícil de surfar politicamente e que pode até lhe custar a reeleição. A pedra insiste em incomodar.

A primeira indisposição dos bolsonaristas foi com as urnas eletrônicas, que continuam sendo atacadas pelo presidente e seus apoiadores.

O equipamento foi desenvolvido em São José dos Campos, com a participação de civis e militares do então CTA, hoje DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em 1995.

Depois, os dados do desmatamento da Amazônia divulgados pelo Inpe e que foram contestados em 2019, sem provas, por Bolsonaro.

O episódio mereceu um enfrentamento público do então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, com o presidente, que mandou exonerar o cientista em agosto de 2019. A partir daí, uma onda de apoio a Galvão e à ciência surgiu no Brasil e no exterior, em contraponto ao obscurantismo anticiência pregado pelo candidato à reeleição.

Urnas e ciência se uniram à fé para incomodar mais uma vez a trajetória de Bolsonaro, que se indispôs, mais de uma vez, com o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, desde que ele assumiu o cargo, no começo de 2017.

Foram vários sermões de Brandes no Santuário Nacional de Aparecida criticados por Bolsonaro e que viraram alvo de apoiadores do presidente nas redes sociais.

O mais conhecido deles foi o “Pátria amada não pode ser pátria armada”, durante a festa de Nossa Senhora Aparecida do ano passado.

Neste ano, além de novas reflexões pastorais no Santuário, bolsonaristas hostilizaram padres e a imprensa em frente à Basílica Velha de Aparecida, em plena festa em homenagem à Padroeira do Brasil. As imagens de apoiadores do presidente segurando caneca de cerveja e ofendendo cinegrafista percorreram o país.

Tais temas foram usados pelo PT para atacar a campanha de reeleição de Bolsonaro.

Em São Paulo, por exemplo, o domicílio eleitoral do ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi um problema para a campanha.

Candidato de Bolsonaro ao governo paulista, Tarcísio registrou domicílio em São José dos Campos sem morar na cidade, o que lhe trouxe constrangimentos e investigação do Ministério Público. Em uma entrevista, ele não soube dizer em que escola votava na cidade, embora assumisse ter “relação profunda” com São José.

A campanha bolsonarista reagiu e, por sua vez, usou o presídio de Tremembé para atribuir voto de presos a Lula. Bolsonaro tentou associar o petista ao crime ao dizer que Lula venceu na penitenciária.

No entanto, a ministra Maria Claudia Bucchianeri, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), concedeu direito de resposta à campanha de Lula pela associação com o presídio de Tremembé. Uma penitenciária da Paraíba também havia sido citada por Bolsonaro.

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