As eleições já tem um lado vitorioso antes mesmo de começar a votação neste domingo: o submundo das fake news.
Nunca se viu tanta desinformação circulando por redes sociais e especialmente em aplicativos de mensagens instantâneas quanto nesta corrida eleitoral, em volume muito maior do que se viu em 2018.
Naquela ocasião, a candidatura de Jair Bolsonaro foi apontada como a maior beneficiada por impulsionamentos de fake news pela internet. Não à toa, diversos bolsonaristas são investigados no âmbito do inquérito das fake news e das milícias digitais, no STF (Supremo Tribunal Federal).
“Naquele ano, assim que foi alçado à categoria de presidenciável, Bolsonaro passou a atuar massiçamente em suas redes sociais digitais”, apontam em artigo os pesquisadores Fábio Jardelino, Davi Barboza Cavalcanti e Bianca Persici Toniolo, da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade da Beira Interior, em Portugal. “As eleições de 2018 ficaram marcadas pelo elevado uso de fake news a partir, por exemplo, de robôs e de algoritmos”.
Nas eleições de 2022, a Justiça Eleitoral prometeu maior rigor contra a onda da desinformação, mas a realidade mostra que o sistema eleitoral brasileiro ainda é incapaz de impedir a disseminação de notícias falsas pela internet.
Um vídeo com informações comprovadamente falsas que circule por redes sociais, por exemplo, atinge milhões de visualizações antes que seja retirado do ar. Além disso, pode ser compartilhado sem nenhuma limitação por grupos em aplicativos de mensagens instantâneas, como Whatsapp e Telegram.
Para o cientista Social e Político Sérgio Amadeu da Silveira, professor da UFABC (Universidade Federal do ABC) e consultor de Comunicação e Tecnologia, a desinformação é uma estratégia política, que ganhou força no país com a chegada de Bolsonaro ao poder.
“A desinformação existe há muito tempo e pode ocorrer por um engano. Mas o que vemos no Brasil é algo importado da extrema direita dos Estados Unidos, que usam na internet a estratégia de desinformar intencionalmente.”
“No Brasil, uma determinada força política se interessou e se articulou para trazer essa estratégia para cá. Alguns chamam esses grupos de gabinete do ódio e outros de neofacistas, populistas digitais e milícias digitais”, completou.
ELEIÇÃO
Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que a circulação de fake news aumentou no segundo turno das eleições, em comparação ao primeiro turno.
O crescimento foi registrado no Telegram (23%), Whatsapp (36%) e Twitter (57%). No geral, a média diária de mensagens falsas cresceu de 196,9 mil antes do primeiro turno para 311,5 mil depois da votação.