Um grupo organizado por mães de estudantes da Escola Estadual Suely Antunes de Melo, em São José dos Campos, afirma não ter acontecido nenhum tipo de diálogo da prefeitura com responsáveis ou corpo docente das escolas envolvidas no processo de municipalização dos colégios da rede estadual, anunciado em coletiva na última segunda-feira (24).
Fabiana Silva, mãe de uma menina estudante da unidade de ensino localizada na região central do município, falou que a administração municipal “simplesmente comunicou” a municipalização dos colégios, sem nenhum tipo de contato prévio com as mães. Ela diz, ainda, que o grupo foi criado para questionar a prefeitura. “No site da prefeitura a dirigente regional de ensino fala que é um pedido da comunidade. Qual comunidade? Os pais e responsáveis das escolas que estão lá não foram consultados. Houve apenas um comunicado, mas nós, mães, além dos professores, não fomos consultados”, diz.
Uma outra mãe, professora da rede estadual e que não quis se identificar, também negou que “boa parte da comunidade” quer a mudança. Ela ainda reiterou outros pontos que preocupam o grupo de mães com a municipalização, como a diferente do ensino integral nas redes municipais e estaduais. “Na Câmara a prefeitura afirmou que a comunidade quer a municipalização. Como eles sabem, se não foi aberto pauta para a própria comunidade falar? Nossa preocupação é que as escolas municipais têm o ensino integral parcial, que abrange algumas crianças, não todas. Os alunos, por exemplo, diferentemente da rede estadual, não almoçam no colégio. O [colégio] Suely [Antunes de Melo] é uma escola itinerante. Muitas mães deixam o filho ali, vão para a cidade trabalhar e pegam eles no final da tarde. Estamos preocupadas. Fomos todos pegos de surpresa, ninguém estava sabendo, nem os professores”, concluiu.
A mãe questionou também os motivos que fizeram a prefeitura municipalizar 17 escolas de uma só vez. A última transição do modelo estadual para o municipal havia acontecido em 2012. Segundo a responsável, a própria diretora não soube o que explicar para os pais.
“Até ontem a prefeitura não tinha dinheiro, agora vai municipalizar 18 escolas? Não teve uma reunião na escola para apresentar o projeto. Sou professora e tenho colegas em outras unidades. Quando é algo do tipo, eles vão na escola, falam com os professores, colocam em debate a questão didática e pedagógica e a comunidade avalia. Desta vez nem a diretora estava sabendo. Ela não sabia o que falar para os pais no portão da escola”, criticou a professora.
Procuradas, a diretora e a vice-diretora da Escola Estadual Suely Antunes de Melo não atenderam às ligações da reportagem.
PREFEITURA.
Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura de São José dos Campos, através da Secretaria de Educação, afirmou que manterá o ensino integral dentro dos horários e moldes de funcionamento atual da escola.
A pasta destacou também que o processo será implementado de forma gradativa, até 2025, obedecendo o Plano Municipal de Educação, e que etapas como aprovação de lei e formalização de convênio serão realizadas conforme o tempo.
“O processo de municipalização será implementado de forma gradativa até 2025, conforme o Plano Municipal de Educação. As etapas incluem aprovação de lei e formalização de convênio, adequação gradativa da proposta pedagógica das escolas, implantação das tecnologias educacionais e de processos e rotinas da rede de ensino municipal”, diz trecho do comunicado.
MUNICIPALIZAÇÃO
A Prefeitura de São José dos Campos divulgou na tarde desta segunda o início do processo de municipalização de 17 escolas da rede estadual. Todas do ensino fundamental (1º ao 5º ano). Do lado de fora do auditório do Paço Municipal, contudo, um grupo de professores realizou uma manifestação contra o anúncio.
A cidade, que já tinha escolas sob administração da prefeitura, chegará ao número de 25 municipalizadas. Aproximadamente 8 mil alunos (90%) passarão a ser de responsabilidade do município.
Já entre professores, os profissionais efetivos e estáveis terão a possibilidade de optar por continuar nas escolas ou mudar para unidades estaduais. Já os contratados, por questão contratual de convênio, deverão ser realocados.
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Sandro Rogerio 27/10/2022Tomara Deus que o PT ganhe pra governador pra botar o Estado em ORDEM!!!