Um vereador do Republicanos, partido que integra a coligação de Jair Bolsonaro (PL) em sua tentativa de reeleição, usou a tribuna da Câmara de Taubaté nessa terça-feira (18) para criticar a atitude de apoiadores do presidente durante as celebrações do Dia da Padroeira, na última quarta-feira (12), em Aparecida.
Douglas Carbonne, que está no terceiro mandato consecutivo na Casa, também fez críticas a uma declaração em que Bolsonaro estimulava a violência contra eleitores adversários.
Carbonne, que foi candidato a deputado estadual pelo Republicanos esse ano - ele recebeu apenas 18 mil votos e não foi eleito -, ainda afirmou que outro vereador, o bolsonarista Alberto Barreto (PRTB), propagou fake news ao afirmar na tribuna que o candidato a governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) teria sido alvo de "um ataque" com o objetivo de "ou tirar a sua vida" ou "a intimidação".
APARECIDA.
Carbonne abriu seu discurso fazendo referência às celebrações do Dia da Padroeira em Aparecida, que tiveram participação do presidente e ficaram marcadas por atos de hostilidade por parte de apoiadores de Bolsonaro.
"Semana passada, no Dia da Padroeira, aquela anarquia que fizeram no pátio [do Santuário Nacional], gente com bebida alcoólica, apontando o dedo na cara do padre, invadindo sacristia", disse. "Eu fui seminarista, há anos vou para Aparecida a pé. Eu nunca vi um ato tão horrível contra a Igreja Católica como eu vi nesse ato feito por bolsonaristas isolados, porque não são todos os bolsonaristas que fazem isso", acrescentou. "Igreja não é lugar de fazer política. Igreja é local para encontrar Jesus. Não é para pedir voto, é um absurdo subir em púlpito de igreja e pedir voto", concluiu.
O vereador relembrou o episódio ocorrido em 2018 em que Bolsonaro defendeu "fuzilar a petralhada". "A declaração tempos atrás, 'vamos metralhar os petralhas', você está vendo as consequências. Quem está fechando templo? Eu vi hoje um padre com olho roxo, pois foi agredido por um bolsonarista dentro de uma missa", afirmou.
TARCÍSIO.
Carbonne também criticou o colega bolsonarista Alberto Barreto, que tentou atribuir tom de atentado político ao episódio ocorrido na última segunda-feira (17) em que um tiroteio em Paraisópolis levou à suspensão de atividades de campanha de Tarcísio de Freitas. Tanto o governo de São Paulo quanto o próprio candidato a governador pelo Republicanos descartaram a hipótese de atentado político.
"O próprio Tarcísio deu uma declaração de que a investigação aponta que o atentado não tem nada a ver com a presença do candidato lá. A gente tem que parar de criar fake news", reclamou Carbonne. "O próprio candidato disse que não era atentado contra ele, e a polícia investigou e [o vereador] de repente traz essa informação, totalmente distorcida", completou.
REPERCUSSÃO.
Depois, Alberto Barreto voltou à tribuna para rebater as críticas de Carbonne, que antes do Republicanos foi filiado ao PCdoB e ao DEM. "Por que durante a campanha [a deputado estadual esse ano] o vereador [Douglas Carbonne] não tinha o mesmo discurso? Eu não vi esse discurso que fez contra o Bolsonaro aqui na tribuna na pré-campanha ou durante a campanha. Eu vi o vereador subir em cima do caminhão com o Tarcísio e o Eduardo Bolsonaro. Por que não se recusou a subir no caminhão?", questionou.
"Durante a campanha, parece que certas palavras perdem voto. Mas agora já passou a eleição, [o Carbonne] não precisa mais de voto da direita, dos conservadores, dos cristãos", reclamou.