Eleições

Atrás nas pesquisas, Bolsonaro volta a fazer ataques infundados às urnas eletrônicas

Por Da Redação | São José dos Campos
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O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL)
O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL)

Oito dias. Esse foi o tempo que passou entre o primeiro turno das eleições, quando candidatos de direita tiveram votação expressiva em quase todo o país, e a retomada do tom golpista por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao fazer novas acusações sem provas contra as urnas eletrônicas.
Incomodado com os resultados das pesquisas eleitorais, que mostram o ex-presidente Lula (PT) como favorito nesse segundo turno, Bolsonaro voltou a levantar suspeitas infundadas contra o sistema de votação brasileiro.

Na última terça-feira (11), durante uma agenda em Pelotas, no Rio Grande do Sul, o presidente, que é candidato à reeleição, pediu que seus apoiadores permaneçam nas seções eleitorais após a votação do segundo turno e fiquem nos locais até a apuração dos resultados. "No próximo dia 30, vamos votar e, mais do que isso, vamos permanecer na região da seção eleitoral até a apuração do resultado", disse.

Logo na sequência, Bolsonaro levantou suspeitas sobre a votação do ex-presidente Lula, que ficou à sua frente no primeiro turno das eleições, por 48,4% a 43,2% dos votos válidos - a diferença entre os dois foi de mais de 6,1 milhões de votos. "Tenho certeza que o resultado [no segundo turno] será aquele que todos nós esperamos. Até porque o outro lado não consegue reunir ninguém. Todos nós desconfiamos. Como pode aquele cara [Lula] ter tantos votos se o povo não está ao lado do mesmo?", afirmou o presidente. Em Pelotas, a vitória de Lula sobre Bolsonaro no primeiro turno foi ainda maior: o petista teve 51,82% dos votos válidos, contra 36,40% do presidente.

IRREGULAR.
O pedido de Bolsonaro a seus apoiadores contraria a lei. A legislação eleitoral proíbe, durante o período de votação, a permanência de eleitores próximos às seções eleitorais.

"A lei eleitoral proíbe, até o final do horário de votação, a aglomeração de pessoas portando vestuário padronizado com bandeiras, broches, dísticos e adesivos, de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou sem uso de veículos", informou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). É permitida somente a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor, segundo o Tribunal.

Após o encerramento do horário de votação, quando tem início a apuração, não há motivo algum para que eleitores permaneçam nas seções eleitorais. Afinal, os resultados das urnas são transmitidos diretamente dos cartórios eleitorais para o TSE. A totalização dos votos é feita na sede do Tribunal, em Brasília.

ATAQUES.
Desde o início de seu mandato, Bolsonaro tem feito ataques ao sistema eleitoral brasileiro sem apresentar qualquer prova ou sequer indício de fraude.

Em 2021, por exemplo, o presidente afirmou que "a fraude está no TSE" e atacou o então presidente do Tribunal, Luís Roberto Barroso, a quem chamou de "idiota" e "imbecil". "Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma [atual], corremos o risco de não termos eleição no ano que vem", disse na ocasião.

No dia anterior, Bolsonaro havia feito outra ameaça: "ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições".

Esse ano, no Palácio da Alvorada, o presidente chegou a fazer uma apresentação a dezenas de embaixadores estrangeiros, na qual repetiu ataques infundados às urnas eletrônicas.

HISTÓRIA.
A urna eletrônica, que completa 26 anos em 2022, foi desenvolvida por profissionais de dois institutos com sede em São José dos Campos.

A ideia para que fosse estruturado o processo de informatização do voto surgiu após as eleições de 1994, marcadas por denúncias de fraude na votação com cédulas de papel. Em 1995, o TSE formou uma comissão técnica que ficaria responsável por desenvolver a urna e seu sistema de segurança.

Do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foram destacados três pesquisadores: Mauro Hashioka, Paulo Seiji Nakaya e Antonio Esio Marcondes Salgado. Do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) participou Osvaldo Catsumi Imamura.

A estreia das urnas ocorreu já em 1996, quando os votos de mais de 32 milhões de brasileiros (um terço do eleitorado da época) foram coletados e totalizados por meio dos mais de 70 mil equipamentos produzidos para aquelas eleições. Quatro anos depois, nas eleições de 2000, o Brasil teve o primeiro pleito totalmente informatizado.

Desde então, o equipamento tem servido de modelo para outros países e vem sendo aperfeiçoado.

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