Em meio a uma investigação do Ministério Público que resultou no afastamento do presidente da Câmara de Campinas por suspeita de corrupção, o trabalho desenvolvido pelo Legislativo é considerado ótimo ou bom por 12,51% do eleitorado e ruim ou péssimo por 43,63%, de acordo com a pesquisa OVALE/Band Mais/Sampi/Ágili Pesquisas.
Foram ouvidas 800 pessoas em Campinas, entre os dias 25 e 28 de setembro. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
Para 1,38% dos entrevistados, o trabalho desenvolvido pela Câmara de Campinas é ótimo. Para 11,13%, é bom. Aqueles que responderam que é regular, somaram 30,25%. Para 26,5%, é ruim. E para 17,13%, é péssimo. Não sabem ou não responderam, somaram 13,63%.
SEGMENTAÇÃO.
Na estratificação por faixa etária, entre aqueles que consideram o trabalho da Câmara ótimo, o maior percentual foi no eleitorado de 45 a 59 anos (2,3%), e o menor entre votantes de 25 a 34 anos (0,63%).
Entre os que responderam que o trabalho é bom, o percentual variou de 16,18% (35 a 44 anos) a 8,23% (25 a 34 anos).
Entre aqueles que consideram o trabalho da Câmara regular, o percentual máximo foi de 33,53% (35 a 44 anos) e o mínimo foi de 24,71% (45 a 59 anos).
Entre quem avalia a atuação dos vereadores como ruim, o percentual variou de 32,08% (16 a 24 anos) a 20,63% (60 anos ou mais).
E entre aqueles que consideram o trabalho péssimo, a variação foi de 18,87% (16 a 24 anos) e 15,52% (45 a 59 anos).
INVESTIGAÇÃO.
Em agosto desse ano, o vereador Zé Carlos (PSB), que presidia a Câmara de Campinas, foi alvo de uma operação do Ministério Público que investiga suposto crime de corrupção passiva. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços como a sede do Legislativo e a casa do parlamentar. O advogado do vereador também é investigado.
De acordo com a apuração do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Zé Carlos exigia vantagens pessoais para manter ou renovar contratos com prestadores de serviços terceirizados da Câmara, o que configuraria o crime de corrupção passiva.
Já em setembro, a divulgação do áudio de uma conversa gravada reforçou a suspeita sobre o esquema. O diálogo teria ocorrido em janeiro de 2021, entre um empresário que mantinha contrato com a Câmara e o advogado de Zé Carlos, Rafael Creato, que era subsecretário de Relações Institucionais. A gravação expôs uma oferta de propina de R$ 1 milhão.
Após a divulgação do áudio, Creato pediu exoneração do cargo e Zé Carlos, que passou a ser pressionado pelos demais vereadores, solicitou afastamento do cargo por 30 dias. O pessebista nega qualquer irregularidade e alega que as conversas gravadas foram divulgadas de forma parcial, o que teria alterado o contexto dos diálogos.
Com o afastamento de Zé Carlos, a Câmara de Campinas passou a ser presidida pela vereadora Debora Palermo (PSC). Em 224 anos, essa é a primeira vez que uma mulher comanda a Casa.