"A direita é maior do que Bolsonaro".
A frase do cientista político Paulo Moura é emoldurada pelo resultado das urnas eletrônicas, que confirmaram a composição de um Congresso Nacional mais conservador.
Mestrado em Ciência Política e doutorado em Comunicação, Moura, que foi estrategista do vice-presidente Hamilton Mourão em sua campanha ao Senado pelo Rio Grande do Sul, explica que candidatos com perfil ligado à direita e ao conservadorismo tiveram a preferência do eleitor.
Para ele, isso revela um movimento impulsionado, mas que seria de maior envergadura, do que o próprio presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os números mostram que o partido do presidente foi quem fez a maior bancada na Câmara dos Deputados, elegendo 99 deputados federais – 22 a mais do que os 77 da última eleição.
A legenda também se sobressaiu na disputa ao Senado, liderando o número de candidatos eleitos em 10 das 27 unidades federativas brasileiras – 26 estados e o Distrito Federal.
O mandato dos escolhidos começa em janeiro de 2023 e termina em dezembro de 2026.
Além do PL, aumentaram as bancadas outros partidos ligados ao campo conservador, como União Brasil (59), PP (47), Republicanos (41), PSC (6), Patriota (4), Novo (3) e PTB (1). Ao lado do PL, o grupo de partidos elegeu 260 deputados (50,6% entre os 513), o que pode garantir, ao menos em tese, maioria suficiente para aprovar projetos de lei comuns.
Já no Senado, uma coalizão semelhante – composta por PL (14), União (11), PP (6), Republicanos (3), PSC (1), e eventualmente Podemos (6) e PSDB (4) – daria a um eventual novo governo Bolsonaro 45 votos (55,5%), número também suficiente para aprovar propostas ordinárias e abrir processos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o que é visto com preocupação pela oposição.
No Congresso, os partidos de esquerda ficaram minoritários, com o PT elegendo 68 deputados federais, a segunda maior bancada – aumento ante os 56 petistas eleitos no último pleito.
Ao lado do PT, outros partidos da esquerda que elegeram deputados federais foram PDT (17), PSB (14), Psol (12), PCdoB (6), PV (6) e Rede (2), somando 125 deputados (24%). No Senado, PT (9), PDT (3) e PSB (1) têm, juntos, 13 representantes (16% do total).
Segundo analistas políticos, o tamanho do apoio em cada Casa Legislativa pode variar, para mais ou para menos, a depender da proposição que estiver em análise, dos interesses de bancadas estaduais ou temáticas e da capacidade de articulação da ala política do governo para negociar apoio.
Há também os partidos que se comportam de maneira mais independente, às vezes a favor do governo, outras de forma contrária. Essas legendas alcançaram tamanho médio.
Somados, MDB (42), PSD (42), PSDB (13), Podemos (12), Avante (7), Cidadania (5), Solidariedade (4) e Pros (3) perfazem 128 deputados (25% do total). No Senado, esses partidos – PSD (11), MDB (10), Pros (1), Cidadania (1) – alcançaram peso semelhante, com 23 senadores (28%).
Já o antes ‘todo-poderoso’ PSDB foi o partido que teve a maior redução na bancada federal, saindo dos atuais 23 deputados para 13. O partido teve o pior resultado ao menos desde 1998.
RMVALE
Já a bancada parlamentar do Vale do Paraíba encolheu nas eleições de 2022. A região tinha o potencial de eleger 15 candidatos, mas só conseguiu manter as duas cadeiras que já tinha na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).
A região perdeu a vaga do deputado federal Eduardo Cury (PSDB), que não conseguiu se reeleger para a Câmara, em Brasília.
O Vale manteve as duas cadeiras na Alesp, com a reeleição de Leticia Aguiar (PP) e a eleição de Dr. Elton (PSC), ambos de São José dos Campos. O deputado estadual Sergio Victor (Novo), representante de Taubaté, não conseguiu se reeleger.
Com domicílio em São José, o deputado federal Milton Vieira (Republicanos) foi reeleito e garante que atua pela região: “Fui reconhecido como o único deputado reeleito pelo Vale”.
Vieira disse que conquistou recursos via emenda de quase R$ 90 milhões para o Vale, mas que nem todo o dinheiro já foi liberado. “Conquistamos recursos para a região, especialmente para investimentos na área da saúde”.
“Temos uma região riquíssima e precisamos ter mais representatividade política”, disse Eliane Maia, presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos.
CAMPINAS
A Região Metropolitana de Campinas conseguiu aumentar sua representatividade política nestas eleições, elegendo quatro deputados federais e nove estaduais.
Mesmo que tenha perdido um representante na Câmara dos Deputados – foram cinco representantes eleitos em 2018 –, a região compensou elegendo um deputado estadual a mais do que nas últimas eleições: 8 para 9 representantes na Alesp.
Dos quatro eleitos para a Câmara dos Deputados, três são de Campinas e um de Indaiatuba. Dos nove eleitos para a Alesp, três são de Campinas, três de Indaiatuba, um de Sumaré, um de Itapira e outra de Hortolândia.