O fenômeno das fake news, que tem se mostrado uma estratégia orquestrada e desleal para golpear nossa democracia, tem sido responsável por criar inúmeras notícias falsas nas últimas eleições brasileiras. Mas, em cada pleito, uma mentira em especial costuma ser disseminada com mais frequência.
Na eleição de 2018, por exemplo, a principal fake news foi a do 'kit gay'. Nas disputas municipais de 2020, a mentira mais contada foi de que determinados candidatos, caso eleitos, iriam instituir banheiros unissex nas escolas. Na eleição desse ano, a notícia falsa da vez é que o ex-presidente Lula (PT), caso reconduzido ao Palácio do Planalto, irá fechar igrejas.
No começo de setembro, por exemplo, a Abrapel (Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais), junto com o Ipespe, mostrou que 22% dos eleitores brasileiros acreditavam que o petista iria fechar igrejas, caso eleito. Entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição, esse percentual era de 41%.
Já no fim de setembro, pesquisa Genial/Quaest mostrou que, mesmo com as tentativas de desmentir a fake news, pouco havia sido alterado. Entre o eleitorado geral, 20% achavam que uma vitória de Lula significa uma ofensiva contra a liberdade religiosa. Entre os evangélicos, 34% acreditavam na mentira. Entre os apoiadores de Bolsonaro, 43%.
Na eleição desse ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aposta em uma série de ferramentas para combater as fake news. Uma delas é a página Fato ou Boato, que desmente diversas inverdades propagadas pela internet contra o sistema de votação – as urnas eletrônicas, em especial, também têm sido alvo das notícias falsas. Outra ferramenta é um robô virtual, via WhatsApp, chamado Tira-Dúvidas do TSE, que reúne conteúdos desmentidos por agências de checagem.