REGIONAL

RMVale encara eleição mais emblemática para aumentar representatividade política

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
São José dos Campos tem dois deputados eleitos em 2018
São José dos Campos tem dois deputados eleitos em 2018

O Vale do Paraíba encara sua eleição mais emblemática neste ano de 2022.

A pergunta é se a região se manterá como uma das mais importantes do país, economicamente falando, mas com baixa representatividade política.

Ou se conseguirá aumentar o número de representantes políticos em cadeiras da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa.

Em 2018, nas últimas eleições proporcionais, o Vale viu a bancada encolher de dois deputados federais para um e de três estaduais para dois. Perdeu força política e de influência nos parlamentos mais importantes do país.

Com ao menos 158 candidatos ligados à região, sendo 90 para deputado estadual e 68 para federal, segundo os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a RMVale tem a oportunidade de conseguir uma representatividade política maior. Trata-se de um movimento crucial no tabuleiro político.

Defensor do voto regional, o prefeito de Jacareí e doutor em Direito Constitucional, Izaias Santana (PSDB), disse que as lideranças políticas, a sociedade civil e os meios de comunicação devem estimular a adoção do critério distrital regional na escolha dos candidatos a deputado federal e estadual, “sob pena de a nossa região perder cada vez mais representatividade política e recursos da União e do Estado”.

Ednelson Prado, professor universitário, escritor e consultor de marketing político, também defende o voto regional, mas admite que a grande quantidade de candidatos é um dos fatores que dificulta a eleição de representantes.

“É uma equação difícil de fechar. Por um lado, a democracia permite uma grande quantidade de candidatos, o que é legítimo. Por outro, com muitas opções as chances de elegermos representantes do Vale é menor. É uma questão a ser bem pensada”.

“A RMVale tem 1,9 milhão de eleitores, mas apenas 700 mil votos foram dados a candidatos a deputado federal domiciliados na região e 770 mil a candidatos a deputado estadual nas últimas eleições”, disse Izaias.

INFLUÊNCIA

Para o prefeito de Jacareí, a região tem indicadores abaixo da média de outras cidades do estado por causa da sub-representação política.

“Se o prefeito não tiver um deputado para indicar, não passa nem na portaria de um ministério. Um deputado que assuma aquela causa. No estado, a distribuição dos serviços e orçamento tem também uma cota política. Ao votar em candidatos de fora, estamos abrindo mão de recursos, serviços e direitos”, afirmou Izaias.

E completou: “Estamos sub-representados. É preciso que a região mostre a sua força, mas estamos patinando como região metropolitana. Começamos a perder para Jundiaí. Não é possível entre os nossos candidatos que não se encontre ninguém da mesma ideologia”.

Essa sub-representatividade do Vale custa à região milhões de reais por ano, literalmente. São recursos que deixam de vir por causa da falta de emendas parlamentares de deputados oriundos da região e comprometidos com ela.

No ano passado, a região recebeu cerca de R$ 50 milhões em emendas parlamentares, quando poderia chegar a quase o triplo disso se tivesse uma maior representatividade no Congresso.

Com apenas um deputado federal, a região tem ficado abaixo de 40% do que poderia receber se alcançasse a marca de seis deputados federais, número que poderia eleger com quase dois milhões de eleitores. Isso sem contar as emendas que continuariam a vir da parte de outros deputados, mesmo sem ligação direta com a região.

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