A batalha presidencial.
A eleição majoritária de 2022 marca um feito inédito na história republicana brasileira.
Pela primeira vez, o pleito terá dois presidentes concorrendo.
Neste caso, o atual mandatário que tenta a reeleição, Jair Bolsonaro (PL), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que comandou o país entre 2003 e 2010.
E com chances de vitória no primeiro turno, a eleição opõe dois presidentes que disputam o pleito com suas visões diferentes para os rumos da nação.
O clima é de tensão, divisão e polarização que transformam a eleição, não raro, em disputas violentas entre militantes, com ataques e mortes pelo país como pouco se viu desde a redemocratização.
“Atentados contra instituições, contra juízes e contra cidadãos que pensam diferente voltam-se contra todos, contra o país”, disse Cármen Lúcia, ministra do STF (Supremo Tribunal Federal).
Em meio a ataques contra o processo eleitoral, especialmente as urnas eletrônicas, colocadas sob desconfiança pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, o país realiza suas maiores eleições da história, com mais de 156 milhões de eleitores e 28 mil candidatos.
No entanto, o que deveria ser marcado pelo debate de ideias e soluções para o país, mesmo com divergências marcantes entre candidatos, esta campanha eleitoral entra para os anais públicos como uma das mais agressivas da nossa história.
De vez, o clima de divisão tomou conta do país, tal e qual torcidas de futebol que não convivem juntas, embora façam parte do mesmo e único Brasil. Até as cores da bandeira têm servido para dividir eleitores, como se elas fossem patrimônio de um só candidato e não o manto que recobre 212 milhões de brasileiros.
Neste dia 2 de outubro, os 156 milhões de brasileiros decidirão pela continuidade de Bolsonaro no comando do Brasil ou pela volta de Lula. Ambos adotam estratégias diferentes na reta final da campanha. Lula apela pelo voto útil e Bolsonaro centra fogo em atacar o PT.
A campanha do petista se empenha em antecipar os votos de eleitores que, em um eventual segundo turno contra Bolsonaro, optariam por Lula. Ou seja, a estratégia é “antecipar” o segundo turno.
Para tanto, a campanha de Lula usa a “defesa da democracia” na tentativa de convencer o maior número de eleitores, especialmente os de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), respectivamente em terceiro e quarto lugares nas pesquisas de intenção de voto, e aparentemente sem qualquer chance de chegar ao segundo turno.
“Vivemos a eleição mais polarizada da redemocratização, não tenha dúvidas. O segundo turno vai ocorrer já no primeiro”, avaliou Ednelson Prado, professor universitário, escritor e consultor de marketing político.
“É uma campanha marcada mais por ataques e menos por debate de ideias, o que também repercute entre os militantes maios extremados”.