Internacional

Família canadense faz viagem ao redor do mundo antes que os filhos percam a visão

Por Malu Medeiros |
| Tempo de leitura: 3 min

O casal canadense Edith Lemay e Sebastien Pelletier, pais de quatro filhos, tiveram uma bela iniciativa ao descobrirem que três das crianças poderiam perder completamente a visão, a qualquer momento, devido uma rara doença, chamada retinite pigmentos — condição que causa perda ou declínio da visão ao longo do tempo. Mas até acontecer algo, os pais decidiram fazer uma viagem ao redor do mundo em família.

A filha mais velha do casal, Mia, tinha apenas três anos quando os pais notaram pela primeira vez que ela estava com problemas de visão. Anos depois, ao levarem Mia a um especialista, a criança foi diagnosticada com retinite pigmentosa. A essa altura, Lemay e Pelletier já estavam fazendo 12 anos de casados, e também notaram que outros dois de seus filhos, Colin, agora tendo sete anos, e Laurent, de cinco, apresentavam os mesmos sintomas que a filha mais velha.  

Em 2019, Colin e Laurent receberam o mesmo diagnóstico. Já Leo, outro filho do casal, de nove anos de idade não sofre da doença. “Não há nada que você possa realmente fazer”, diz a mãe, explicando que ainda não há cura ou tratamento para retardar a progressão da retinite pigmentosa.

Ao chegarem a um acordo com a notícia, o casal concentrou suas atenções em ajudar seus filhos a desenvolver as habilidades necessárias para carregar ao longo da vida. O especialista de Mia sugeriu que os pais fizessem com que a garota cultivasse “memórias visuais”, e, com isso, Edith percebeu que existia uma forma incrível de proporcionar algo aos filhos. “Pensei: ‘Não vou mostrar a ela um elefante em um livro, vou levá-la para ver um elefante de verdade. E vou encher a memória visual dela com as melhores e mais belas imagens que puder”, acrescentou a mãe. 

O casal começou a planejar uma viagem de um ano com as crianças. “Há ótimas coisas para fazer em casa, mas não há nada melhor do que viajar. Não só a paisagem, mas também as diferentes culturas e pessoas”, disse Sebastien. A família acabou recebendo uma ajuda da empresa que o pai trabalhava e possuía ações,  que agregou as economias que já estavam sendo feita por eles.

A família deveria partir em julho de 2020, e o itinerário detalhado incluía viagens para a Rússia e também passar um tempo na China. Porém, devido às restrições de viagem provocadas pela pandemia da Covid-19, eles foram forçados a adiar sua viagem. Com esse tempo eles repensaram a viagem diversas vezes. Finalmente, em março deste ano, eles deixaram Montreal, mas para a surpresa de todos não sabiam por onde começar. “Na verdade, saímos sem itinerário. Tínhamos ideias de onde queríamos ir, mas planejamos à medida em que viajamos”, disse Edith.


Começaram a viagem pela Namíbia, onde tiveram contato com elefantes, zebras e girafas, antes de seguirem para a Zâmbia, Tanzânia, e depois voaram para a Turquia, onde passaram um mês. Depois a família seguiu para a Mongólia, antes de partirem para à Indonésia. “Então, estamos realmente tentando fazê-los ver coisas que não teriam visto em casa e ter as experiências mais incríveis”, completou o casal. Os pais esperam que além de testemunhar belas paisagens com essa viagem, os filhos possam ainda desenvolver habilidades de enfrentamento.

“Eles precisarão ser realmente resilientes ao longo da vida. Não importa o quão difícil seja a vida deles, eu queria mostrar a que eles têm sorte apenas por ter água corrente em casa e poder ir à escola todos os dias com livros coloridos e bonitos”, relatou Edith.

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