Por duas vezes alvo de ataques, a jornalista Vera Magalhães é mais uma vez vítima da onda crescente de intolerância contra a imprensa profissional, especialmente direcionada às mulheres.
A apresentadora do Roda Viva da TV Cultura se junta a jornalistas como Patricia Campos Mello, Juliana Dal Piva e Amanda Klein que foram alvo de ataques de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) ou dele próprio.
Ataques verbais, intimidações e tentativas de humilhação nas redes sociais são a ponta do iceberg, que ainda camufla violência física, agressividade e até ameaças de morte no submundo antidemocrático contrário à imprensa.
Magalhães foi a mais recente vítima da onda violenta contra jornalistas, na noite desta terça-feira (13), em debate entre candidatos ao governo de São Paulo. A jornalista foi hostilizada e agredida pelo deputado estadual Douglas Garcia, que repetiu ataques feitos por Bolsonaro e mentira sobre o salário dela na TV Cultura.
ATAQUES
De acordo com o mais recente levantamento da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), foram identificados 151 episódios de agressão física e verbal ou outras formas de cercear o trabalho jornalístico entre janeiro e abril de 2022.
Entre as medidas, estão restrições de acesso à informação, ataques de negação de serviço na internet, doxing (exposição de dados pessoais), processos civis ou penais, assassinato, assédio sexual e uso abusivo do poder estatal.
De acordo com a entidade, o cenário sofreu uma piora em relação a 2021: houve um aumento de 27% considerando o mesmo período do ano passado.
A Abraji aponta que, em 2022, o tipo de agressão mais comum continua sendo o discurso estigmatizante, assim como foi em 2019, 2020 e 2021, presente em 66,9% dos alertas identificados até abril.
A categoria de “agressões e ataques”, que envolve violência física, atentados e ameaças explícitas, também aumentou, apresentando um salto de 80%.
A entidade alerta que quando as agressões partem de autoridades públicas, como o presidente da República, podem incentivar cidadãos comuns a atacar jornalistas por conta própria.
"Uma vez que existe a sinalização do funcionário público, isso é quase como uma mensagem cifrada para que os apoiadores passem a atacar, abusar e ofender jornalistas e qualquer pessoa que se oponha ou critique o que essas pessoas fazem no poder", disse Carlos Gaio, gerente jurídico sênior do Media Defence, que presta assistência jurídica a jornalistas ao redor do mundo, em entrevista ao portal Núcleo.