Polêmica

Moradores que tiveram casas demolidas no Banhado tinham cadastro

Por Thais Perez |
| Tempo de leitura: 2 min
Defensor público diz que demolição de casas no Banhado foi ilegal
Defensor público diz que demolição de casas no Banhado foi ilegal

Pelo menos três moradores do Jardim Nova Esperança que tiveram casas ou cômodos demolidos pela Prefeitura de São José tinham cadastro no Núcleo Congelado do Banhado. A ação, que aconteceu no dia 23 de agosto, destruíu sete casas da comunidade.

Conforme apurado pelo OVALE, uma das pessoas que teve um cômodo da casa destruído consta na lista de famílias que fazem parte do Núcleo Congelado. O documento é público e pode ser acessado no site a prefeitura.

Em entrevista, a moradora afirmou que havia saído para trabalhar na manhã de terça quando recebeu uma ligação de seus vizinhos dizendo que havia uma equipe da prefeitura destruindo sua casa. Durante a ação, um cômodo inteiro da residência foi derrubado a marteladas.

Outra casa que foi alvo da ação existia há quase 50 anos no bairro. A atual proprietária da casa, que não quis se identificar, morava na casa com seus filhos e foi surpreendida pela demolição quando havia saído. O irmão dela consta na lista de moradores. De acordo com ela, sua mãe era antiga moradora do bairro, mas faleceu.

Em outro caso, uma das casas foi parcialmente demolida pela equipe da Urbam (Urbanizadora Municipal) enquanto a moradora trabalhava. Ela, que também não quis se identificar, é filha de uma das pessoas que faz parte da lista de 297 famílias.

Cobrada pela Justiça, a prefeitura apresentou uma lista de monitoramento de lotes irregulares no Banhado. Contudo, na lista há 133 nomes de pessoas que possuem moradias irregulares no local ou construções que eram ilegais e já foram demolidas. No documento, não constam os nomes das pessoas citadas na reportagem.

JUSTIFICATIVA

A Prefeitura alegou à Justiça que derrubou apenas casas desocupadas e que "não há mínima demonstração" de que "qualquer das famílias cadastradas tenham sido atingidas pelas demolições".

A gestão sustentou ainda que a comunidade está instalada em área de proteção ambiental e que os imóveis desocupados estavam sendo utilizados para a prática de crimes.

Questionada sobre os casos citados na reportagem, a Prefeitura de São José não respondeu às solicitações feitas desde o dia 6 de setembro, segunda-feira.

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