Para o consultor José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel da reserva da Polícia Militar, a violência no Vale do Paraíba tem que ser identificada localmente, com atuação sob medida para cada cidade.
Segundo ele, a região tem picos de violência em alguns municípios que são muito diferentes dos indicadores de outras cidades, o que interfere na média regional.
“Problema é que a taxa [de homicídios] é afetada por alguns casos isolados, como a cidade de Cruzeiro. Não se pode uniformizar o conjunto do Vale, são realidades diferentes”, disse.
“Há cidades com níveis muito altos de segurança, como São José dos Campos, e agora casos como Cruzeiro, que está com 56 mortes por 100 mil, o que afeta a média do Vale.”
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ATUAÇÃO LOCAL
José Vicente disse que a alta da violência em cidades como Cruzeiro, Lorena, Guaratinguetá e Pindamonhangaba são “fenômenos isolados que dão impressão que o Vale está comprometido, mas não está”.
“Essa taxa regional que serve como referência é muito superficial. Não temos homogeneidade regional. A questão da segurança é um fenômeno local. Tem que tratar esse fenômeno cidade por cidade, senão perde-se o sentido da análise”, afirmou o especialista.
Para ele, mesmo tendo a maior taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes do estado, com 15,38, a RMVale “ainda está bastante confortável se comparada ao panorama nacional”.
“Estados como Ceará, Bahia, Amazonas e o Rio Grande do Norte têm praticamente o dobro disso. Mas em São Paulo essa taxa alta causa estranheza, sim.”
MEDIDAS
O especialista indicou medidas como verificação dos locais de ocorrência dos crimes, mapeamento do tipo de violência e estudo das vítimas para identificar o tipo de providência que deverá ser tomada, que não é apenas de segurança pública.
“É preciso identificar o que está acontecendo em cada cidade e atacar ali, localmente. Verificar o fator local. Não existe o fator geral. Não há um padrão de incremento da violência no Vale, isso é localizado. É preciso ir hierarquizando os locais mais violentos e atuar localmente.”
E completou: “Nem sempre são casos de policiamento. Tem um problema de caráter social. Não é só caso da polícia, mas um fenômeno social”.