Corrupção

Gestão de Milton Ribeiro no MEC teve pedido de propina escondida em pneu, diz jornal

Por Gabriel Campoy |
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Milton Ribeiro, Ministro da Educação
Milton Ribeiro, Ministro da Educação

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, demitido da função após denúncia de corrupção no MEC, está no centro de uma nova polêmica. Em entrevista concedida ao jornal Estadão e divulgada na tarde desta quinta-feira (22), o empresário paraense Ailson Souto da Trindade pastores lobistas teriam tido autorização de Ribeiro para negociar um pedido de propina no valor de R$ 5 milhões em dinheiro vivo, escondido no pneu de uma caminhonete. O dinheiro seria usado para reformas nas igrejas dos pastores e, em troca, o empreiteiro ganharia licitações de obras federais.

A nova denúncia é mais um capítulo do escândalo conhecido como "gabinete paralelo do MEC", um esquema de corrupção em que a pasta liberaria, segundo as investigações, recursos federais para prefeituras em troca de pagamentos de propina que envolviam barras de ouro e até dinheiro dentro de bíblias.

"Funcionou assim: o ministro fez uma reunião com todos os prefeitos. Depois houve um coquetel, num andar mais acima. Lá, a gente conversou, teve essa conversa com o ministro. Eu não sabia nem quem era o ministro. Ele se apresentou: 'eu sou Milton, o ministro da educação, e o Gilmar já me passou o que ele propôs para você e eu preciso colocar a tua empresa para ganhar licitações, para facilitar as licitações. Em troca você ajuda a igreja'", teria dito Milton Ribeiro, de acordo com o relato do empresário.

Ainda de acordo com o empresário, os lobistas pediram cerca de R$ 100 milhões para reformar e construir igrejas no Maranhão e no Pará. Ele relatou que os pastores queriam uma quantia inicial de R$ 5 milhões em dois dias.

"Eu falei: 'mas eu não posso fazer esse tipo de negócio, eu sou empresário, eu não vou fazer uma coisa assim sem nenhum contrato'. E eles queriam que eu colocasse esse valor [R$ 5 milhões] no pneu de uma caminhonete e mandasse para lá (...) Aí eu fiquei com medo desse tipo de negociata. Eles queriam R$ 5 milhões logo e depois de 15 dias mais R$ 50 milhões", revelou o Trindade.

BOLSONARO SABIA, SEGUNDO EMPRESÁRIO

No relato ao Estadão, Trindade também revelou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) teria conhecimento das negociatas. Ele ainda conta que, após escândalo do MEC ser revelado pela imprensa, conversou com o pastor Arilton que aconselhou o empresário a "não falar nada sobre as reuniões" e que "Bolsonaro estaria agilizando para deixar tudo como está".

Procurado pelo jornal, o advogado de Milton Ribeiro, Daniel Bialsk, afirmou que o ministro "nega absolutamente a acusação", da qual ele chama de "leviana, mentirosa e com interesse eleitoreiro". As defesas dos pastores Gilmar e Arilton Moura não se manifestaram.

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