Nos anúncios de locação e venda, imobiliárias e corretores têm intensificado esforços na divulgação de imagens e descrições mais assertivas das unidades em oferta para reter clientes em busca do imóvel ideal. Segundo levantamento feito pela QuintoAndar, plataforma do ramo, há uma preferência por termos que sugerem comodidade a quem faz a pesquisa.
Em uma base de mais de meio milhão de anúncios publicados entre 2020 e 2022 no site de moradia, as palavras mais usadas para detalhar um imóvel estão relacionadas, em grande maioria, a vantagens de espaços habitáveis e localidade.
"Uma boa descrição pode ser o grande diferencial para venda ou locação, aumentando a liquidez do imóvel em um cenário de mercado aquecido. Às vezes, deixar clara a incidência do sol também pode ser determinante. Da mesma forma, o quarto de serviços que pode virar escritório, quando assim descrito, amplia a chance de chamar a atenção de quem atua em regime híbrido", afirma Thiago Reis, gerente de dados da QuintoAndar.
Segundo a pesquisa, com a pandemia de Covid-19 termos como "bicicletário" e "escritório" ficaram mais frequentes, com aumento de 38% e 60%, respectivamente, no segundo trimestre deste ano em comparação com o primeiro trimestre de 2020. As varandas também se tornaram mais importantes nesse contexto.
Estratégia
Apesar de identificar diferenças pontuais entre as regiões do Brasil, o estudo revela que há uma forte relação entre as palavras que são colocadas nos anúncios e o valor de cada oferta. Quanto maior a valoração, mais ênfase é dada a características internas do empreendimento.
Anúncios com preços mais baixos acabam destacando atributos relacionados à região onde o imóvel está inserido, com o uso de palavras como "ônibus", "próximo", "localizado", "comércio", "centro", "fácil" e "acesso".
José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), reforça que no Vale do Paraíba a questão da mobilidade perde um pouco de força. "Aqui, o fator das distâncias se diferencia de São Paulo, onde é preciso estar próximo a metrô para ser mais bem servido." Na capital paulista, a palavra "metrô" é a terceira mais citada nos anúncios, segundo a mesma pesquisa.
Os dados mostram também que nos imóveis com preços mais elevados são destacadas amenidades do próprio empreendimento, como "varanda", "piscina", "mobiliado", "ar condicionado", "amplo" e "suíte".
Alfredo de Almeida, diretor da imobiliária Nova Freitas, justifica dando exemplo: "Hoje oferecemos um apartamento em prédio com piscina dupla, uma exclusivamente para condôminos e outra para eles receberem visitantes. Esse tipo de distinção é argumento importante no caso do alto padrão, porque oferece mais conforto ao proprietário".
Almeida acrescenta perceber que cada vez mais termos ligados a sustentabilidade e economia têm atraído diversos públicos. "Se o empreendimento faz reaproveitamento de água, usa energia solar e tem carregador elétrico para carros, isso tem de aparecer no anúncio, pois resulta em redução do valor de condomínio", finaliza.
Responsabilidade em anúncios é exigida por conselho de corretores
O Cofeci (Conselho Federal de Corretores de Imóveis) delimita e regulamenta por meio da Resolução nº 1.065, de 2007, as regras para divulgação de imóveis tanto para aluguel quanto para venda. Entre elas está a exigência de que anúncios mostrem o número de inscrição no Creci (para pessoa física ou jurídica).
Os anúncios feitos pelo proprietário do imóvel, por outro lado, precisam conter expressões como "tratar com proprietário" ou "direto com proprietário" para que o anunciante não incorra no exercício ilegal da profissão de corretagem.
"A legislação determina que a mensagem publicitária seja bem clara e objetiva. Tem de fazer o anúncio de forma transparente, com detalhes do imóvel que representem a realidade", reforça José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP, conselho de corretores que oferece, gratuitamente, material com orientações deste tema a profissionais da área (veja quadro).