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‘Não são falsas ameaças que irão abalar nossa liberdade’, diz Rodrigo Garcia

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 5 min
‘Não são falsas ameaças que irão abalar nossa liberdade’, diz Rodrigo Garcia
‘Não são falsas ameaças que irão abalar nossa liberdade’, diz Rodrigo Garcia

Em campanha pela reeleição, o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), não acredita em golpe no 7 de setembro. Para ele, a democracia do Brasil é sólida e consolidada. “Não são falsas ameaças que irão abalar nossa liberdade”, disse a OVALE. Confira.

Como vai o Brasil após 200 anos da Independência?

O Brasil é um país que avançou demais como nação independente, mas ainda está muito longe de seu pleno potencial. Ser um país livre e dono de seu destino é fundamental nas democracias modernas, mas este é apenas o primeiro passo para o progresso econômico e o desenvolvimento social de um povo. Temos um desafio enorme e urgente, principalmente com a desigualdade social crescente, o aumento da fome e o retorno da inflação.

Somos um país independente?

A interdependência entre países hoje não é mais política, e sim econômica. A globalização integrou as cadeias produtivas de praticamente todo o planeta e a comunicação acontece em tempo real. Nós precisamos ter uma população cada vez mais preparada para trabalhar com novas tecnologias e conhecimento técnico diversificado. E também precisamos estimular a nossa indústria a se modernizar e ser competitiva aqui e também lá fora, assim como o agronegócio já faz com sucesso.

Estamos no limiar de uma mudança tecnológica profunda. O Brasil aguenta continuar no ‘mais do mesmo’?

Na nossa avaliação, São Paulo é o retrato mais próximo do exemplo de um Brasil que dá certo. Nós reunimos uma mão de obra altamente qualificada em praticamente todas as regiões do estado, temos uma economia diversificada, grandes parques tecnológicos, indústrias de todos os setores, o agronegócio mais moderno e competitivo do país e uma ampla gama de comércios e serviços em nossas áreas urbanas. Mesmo com a pandemia, a economia de São Paulo cresceu cinco vezes mais do que a do Brasil nos últimos três anos. Então, acredito que o que funciona para São Paulo também vai funcionar para o nosso país.

O que está em jogo nestas eleições?

Qual é o grande problema, hoje, na governança do Brasil? É a briga ideológica. O debate entre esquerda e direita é importante no parlamento, porque é lá que as leis são feitas. Na vida como ela é, não. O que prefeitos, governadores e a presidência precisam é do mundo real. Eu nunca vi ideologia virar hospital, estrada ou programa social. O que melhorou na vida das pessoas com essa briga ideológica? Nada. Nós precisamos pacificar o Brasil e ter diálogo.

Qual a importância de São Paulo nestes 200 anos de Independência?

São Paulo é o berço da nossa pátria livre. Dom Pedro proclamou a Independência do Brasil em nossa capital, às margens do córrego do Ipiranga. Então, São Paulo é o esteio da liberdade e do desenvolvimento no Brasil desde sempre. Nosso estado é decisivo para a tomada de decisões que afetam a vida de todos os brasileiros, temos a maior economia do país e a maior concentração de população. Quando São Paulo vai bem, o Brasil vai bem, e nós precisamos cada vez mais deixar São Paulo seguir o seu caminho sempre em frente.

O Vale foi a única região com presença direta na jornada pela Independência. Como vê essa participação?

A região do Vale do Paraíba é uma das mais importantes do nosso estado. É uma condição histórica, não é de hoje e nem do passado recente. No século 19, o Vale era um dos pilares da economia nacional com suas lavouras de café. Então, era natural que Dom Pedro buscasse a região para ter respaldo. Ele sabia que a vontade popular que se formava em São Paulo e no resto do país era para deixar de ser uma colônia de Portugal. O apoio da população e dos grandes produtores de café do Vale, inclusive em relação à segurança da comitiva real, foi um fator determinante para que, hoje, a gente possa celebrar o Bicentenário da Independência.

Como vê o movimento que tenta se apropriar desta data e vinculá-la ao governo do presidente Jair Bolsonaro?

Tenho certeza que a democracia do Brasil é sólida e consolidada, não são falsas ameaças que irão abalar nossa liberdade. A democracia brasileira já não é tão jovem. A juventude de hoje não viveu regimes de exceção, assim como eu também não tenho essa memória porque era uma criança à época. Hoje, a população sabe o quanto é importante a liberdade. É um bem de toda a sociedade e do qual não vamos abrir mão.

O sr. teme episódios de violência em 7 de setembro?

Eu sou um democrata e prefiro acreditar que todos têm o direito de se organizar e se manifestar, desde que nenhuma lei seja desrespeitada e não haja violência de qualquer tipo. Mas reforço que esse acirramento ideológico na sociedade e nas nossas famílias não resolve o problema de ninguém. Ao contrário, isso só prejudica São Paulo e o Brasil.

Qual será a postura das forças de segurança diante dessa ameaça?

Em São Paulo, a política fica fora dos quartéis. A manifestação é livre a servidores públicos de qualquer natureza, desde que sem farda e fora do quartel. A PM não admite esse tipo de manifestação em horário de trabalho e dentro das suas sedes.

Por fim, que mensagem o senhor deixa pelos 200 anos da Independência?

Nós só vamos avançar em São Paulo se ficarmos longe dessa briga política em torno de duas candidaturas presidenciais. Na questão política e administrativa, São Paulo é autônomo, forte e independente. Quando você coloca a briga ideológica na frente da necessidade das pessoas, isso atrapalha toda a sociedade. O mundo político fica brigando e o povo fica pagando a conta. São Paulo é forte porque sempre se une nas adversidades e eu quero defender nosso estado de quem quer nos dividir.

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