Eleições 2022

Mesmo causando a morte de 736 brasileiros por dia, pandemia da Covid some do debate político

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 2 min

A maior crise sanitária e hospitalar da história do Brasil virou coadjuvante no debate público e político nas eleições deste ano. Em 930 dias de pandemia, o novo coronavírus causou a morte de 736 brasileiros por dia, em média.

O primeiro caso confirmado de pessoa com a doença no Brasil ocorreu em 26 de fevereiro de 2020, na cidade de São Paulo. Desde então, já foram registrados mais de 34,5 milhões de casos da doença no país e 684,7 mil vítimas da doença.

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Nada matou mais e em tão pouco tempo no país do que a doença, que ultrapassou em larga escala outras crises sanitárias, como a Gripe Espanhola (1918-19), que matou menos de 40 mil pessoas no Brasil.

Tampouco a epidemia de varíola no inverno de 1904 que se abateu sobre o Rio de Janeiro, então capital do país, foi mais mortal – 3.500 morreram de varíola no Rio naquele ano.

No entanto, pouco ou nada se fala sobre a pandemia do coronavírus no atual debate político nas eleições de 2022.

IDEOLOGIA

O tema perdeu espaço para discursos relacionados à ideologia ou à pauta comportamental, que não resolvem os graves problemas brasileiros, entre eles o da saúde pública, educação e emprego.

Também o negacionismo do governo federal diante da tragédia da pandemia vem sendo pouco questionado entre os candidatos a cargos majoritários, principalmente os que disputam a Presidência da República.

Campanhas contra vacinas, desdém com a gravidade da crise sanitária, escândalos de corrupção envolvendo a gestão federal, quatro ministros da Saúde e incentivo ao descumprimento das restrições sanitárias são temas pouco questionados no atual debate eleitoral.

Contudo, os números do Brasil no combate à doença são trágicos, ao contrário do discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O país que tem o SUS (Sistema Único de Saúde) e que é uma Ferrari para vacinar não deveria ter tido o número de mortes que tivemos, bastava fazer a lição de casa. Mas o presidente foi pela contramão”, disse Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde.

Em 2021, ano de maior impacto da doença, o Brasil liderou em mortes causadas pelo coronavírus no mundo. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), entidade referência em epidemiologia, aponta que morreram quatro vezes mais infectados no Brasil do que a média global.

“É incompreensível que o presidente Bolsonaro e seu governo estejam sendo poupados de enfrentar a questão da conduta criminosa durante a pandemia”, disse a cientista política e social Suzeley Kalil. “É uma excrescência ter alguém na disputa que é responsável por milhares de mortes por Covid no país, por ação e omissão. É inacreditável”.

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