Fecha-se no dia 6, próxima quarta-feira, o ciclo ao qual chamamos Boas Festas. Ele tem início com o Natal, passa pelo Réveillon, termina com o Dia de Reis. Retiramos as guirlandas das portas, desfazemos as árvores, voltamos para a caixa as figuras do presépio. O espírito natalino apaga-se aí para os que se apegam apenas às formas, o que é de se lamentar. A Festa de Reis já teve entre nós maior expressão. No interior de Minas, especialmente, as companhias de folia saíam pelas ruas, até as últimas décadas do século passado, e batiam às portas. Quem atendesse deveria se sentir lisonjeado, pois a visita era nobre. Ofereciam-se doces e bolos aos que chegavam com suas roupas brancas enfeitadas de fitas coloridas e a canção comovedora nos acordes e na letra metafórica, sempre iniciada com um ‘ó de casa!’ Mudaram-se os tempos, quase não se veem mais estas manifestações, embora resistam os grupos que se apresentam em espetáculos públicos neste janeiro. Dizem historiadores em livros recentes que os chamados reis Melchior, Baltazar e Gaspar sequer existiram. Isto é que é retirar da gente o lúdico. Não concebê-los no presépio é elidir a magia dos que chegam montados em camelos e movidos por poderes especiais, trazendo presentes de um simbolismo perenemente tocante. Ouro para lembrar realeza, incenso para remeter à transcendência, mirra para reforçar a ligação com a natureza. À parte os historiadores, vamos continuar acreditando nestes antigos porta-vozes de uma nova era, repetir seus gestos de reverência diante de algo maior que a nossa humana compreensão, fazer um bolo com especiarias do Oriente. Em Portugal e na Espanha o Bolo de Reis é quase obrigatório nas casas- das mais plebeias às mais aristocráticas. A tradição lusa manda depositar na massa uma única fava. Quem a encontra na sua fatia tem a ingênua, mas sempre benfazeja, esperança de que terá um ano de muita sorte. É um bolo fácil de preparar e bom para aproveitamento de sobras. Aquelas frutas secas que você já se cansou de olhar, o punhadinho de passas, os pedacinhos cristalizados, tudo o que você tiver por aí pode entrar na composição. Não devem faltar o cravo, a canela, sementinhas de anis, pitada de açafrão. É feito com açúcar mascavo, o que torna sua massa escura, e deve ter a forma de coroa, referência à realeza dos magos, dos adivinhos, daqueles reis de tribos nômades que souberam bem antes de todos que tinha nascido naquela gruta de Belém o Cristo das profecias. Verifique a lista de ingredientes. Bata a manteiga até virar um creme. Junte o açúcar e as gemas, uma a uma, até que se incorporem. Acrescente então o leite condensado em fio, sem parar de bater. Desligue a batedeira e misture a farinha de trigo peneirada junto com o fermento, as frutas, as passas, as especiarias. Por último incorpore as claras em neve. Asse em forma untada e polvilhada com farinha de trigo. Forno quente, preaquecido (180 graus), cerca de meia hora. Misture açúcar, leite quente e suco de limão e cubra o bolo ao retirá-lo do forno. 
