Pudim do Ceilão


| Tempo de leitura: 3 min
Mel, canela e azeite unem-se  aos ovos para  compor a massa  de um doce de  sabor exótico
Mel, canela e azeite unem-se aos ovos para compor a massa de um doce de sabor exótico

O Ceilão é o antigo nome do Sri Lanka, ilha localizada no sul da Ásia. Até o final do século XVI, suas margens eram cobertas por caneleiras, a árvore de onde se extrai a casca da canela, há séculos usada como condimento e aromatizante. Numa carta datada de 1658, um capitão holandês da Companhia das Ilhas Orientais, que conquistara aos portugueses o direito de explorar algumas rotas comerciais, diz que era tal a quantidade e qualidade das caneleiras no litoral do Ceilão, que seria posssível, segundo a direção dos ventos, sentir o perfume delas mesmo estando a oito léguas da costa.

 
Até hoje o Sri Lanka é o maior exportador do mundo deste produto cujo quilo chegou a valer 10 gramas de ouro no século das grandes conquistas marítimas. Quando a conservação de alimentos representava um desafio, principalmente nas naus desbravadoras dos portugueses que cortavam os mares por meses a fio, a canela tinha lugar de honra no panteão das especiarias. Ela camuflava o cheiro desagradável e disfarçava o gosto rançoso dos alimentos que deveriam abastecer a tripulação por um tempo indeterminado.
 
Também são conhecidos pelas suas qualidades os méis da invejável flora do Ceilão. Com mel e canela, elementos presentes em textos religiosos muito antigos, os asiáticos fazem até hoje remédios simples para curar uma série de doenças, desde as respiratórias e cardíacas até as de pele e do aparelho digestivo. Criam também pratos de sabor delicado,cujo perfume encanta os ocidentais. É o caso deste pudim, consumido especialmente naquela região do mundo pelas mulheres que acabam de dar à luz, de onde deduzo poder chamá-lo Pudim de Parida, como o fazem os portugueses às rabanadas, lusitanamente apelidadas Fatias de Parida. Tanto um quanto outra levam canela e ovos na sua elaboração, o que deve servir de alguma orientação para o entendimento de suas qualidades terapêuticas e/ou nutritivas, elidindo a simples coincidência.
 
Faz tempo que a canela deixou de ser produto caro e ganhou o status de condimento importante na culinária de muitos povos. No Brasil, alguns pratos são impensáveis sem ela. Caso do arroz doce, que arrisca a perder todo o charme se não salpicarmos a sua superfície com generosa porção de canela em pó.
 
O pudim do título é facílimo de fazer. Poucos e bons ingredientes, procedimentos simples, um resultado gostoso e bonito. Como bolos e pães que levam mel, ao assar a massa escurece, fica num tom fechado de marrom. Para dar um toque de cor, enfeitamos com uma tirinha de limão e uma cereja ao marasquino. Você pode fazer em porções individuais; fica bem delicado. Comece quebrando os ovos em tigelinha à parte, um a um, para checar se estão frescos. Bata ligeiramente com garfo ou fouet. Passe por peneira, a fim de eliminar a película das gemas que costuma deixar gosto forte de ovo nos pratos. Vá misturando pela ordem o mel, o azeite de oliva, o açúcar, a canela em pó, as raspas de limão. Misture com a colher de pau até obter uma massa lisa. Unte com azeite quatro refratários pequenos, no caso de querer porções individuais, ou um de tamanho médio. Despeje a massa mas não encha até à borda porque ela cresce como um souflé e pode derramar, o que acaba sendo um transtorno. Asse por 40 minutos, mais ou menos, ou até que enfiando um palito no meio, este saia seco. Sirva quente com sorvete, frio com um fio de mel, ou simplesmente gelado. De qualquer jeito é muito bom.
 
Veja os quadros abaixo:

Comentários

Comentários