Ganhei um quilo de pinhões e não sabia o que preparar, depois de ter comido um punhado deles cozidos, sem nada mais a acompanhar que não fossem lembranças de uma viagem ao sul que fiz ano passado, nesta mesma época. As araucárias, as serras, os cannyons, a gente saudável, a preservação dos costumes, a definição do inverno como estação de clima decididamente frio, ao contrário de nosso estado onde as variações podem lembrar verão em agosto, eram os resgates dos dias passados por ali. Foi quando me apareceram na memória, essa caixa de surpresas, uns livros de culinária, que havia comprado no passeio, seguindo um vício que tenho. Como é que tinha me esquecido? Em um deles havia um longo capítulo dedicado aos pinhões. Ao me lembrar, fui correndo atrás.
Onde usam o pinhão as donas de casa do sul brasileiro, região onde ele se torna abundante exatamente quando os termômetros caem? Estava lá, nas páginas coloridas. Elas o empregam em muitos pratos. Fazem um tipo de farofa, misturam à carne, elaboram caldos e cremes fumegantes que aquecem o corpo rapidamente e perfumam o ambiente onde são cozidos. Elas também preparam bolos, cujas receitas ocupam um longo capítulo da publicação à qual recorri para reproduzir o que ilustra a página. Este é de uma simplicidade franciscana, com os ingredientes básicos de toda preparação do tipo: farinha, ovos, açúcar. O que tem de diferente na massa: azeite de oliva e pinhão. Na cobertura, básica também, gostinho de limão que faz diferença no conjunto. Não é bolo para quem curte composições leves como pão-de-ló. O adjetivo rústico já diz tudo, a massa é densa, crocante, não muito doce, com o sabor acentuado do pinhão, presença marcante. O contraste do cítrico com o gosto acastanhado confere personalidade a este bolo perfeito para encarar São Pedro, a festa que fecha o ciclo das juninas no próximo dia 29.
Se quiser experimentar, comece cozinhando os pinhões. Isso leva um tempo, mais ou menos meia hora na panela de pressão. Espere esfriar, escorra, descasque, meça, leve ao liquidificador na tecla pulsar por dois minutos. O resultado deve ser uma farofa grossa. Separe meia xícara para a cobertura. Em uma tigela peneire a farinha de trigo com o fermento e junte a canela em pó. No copo do liquidificador acrescente à farofa de pinhão os ovos inteiros, o azeite de oliva, o açúcar e bata por dois minutos. Despeje esta mistura líquida sobre a seca e misture bem. Leve a massa à forma untada e enfarinhada. Coloque no forno que já deverá estar aquecido. Deixe por 40 minutos ou até que, espetando o palito, este saia seco. Deixe esfriar e cubra com o glacê de limão. Para prepará-lo, misture açúcar, limão e água fervente até obter uma mistura homogênea. Espalhe sobre a superfície do bolo e arremate com a farofa de pinhão. Deixe secar e sirva.
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