O peixe da vez


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Com pouca  gordura e  sabor suave.
Com pouca gordura e sabor suave.

De repente comecei a ouvir com frequência o nome dele: às vezes Saint Peter, outras Saint Pierre, nunca São Pedro. Ora era maitre Odair, do Azul, me oferecendo o peixe na sua versão grelhada, sequíssima, com um daqueles molhos que só ele sabe preparar e cuja receita não revela a ninguém. Ora era minha neta Júlia comentando, com jeito adulto, ao vê-lo escalado no cardápio de algum outro restaurante : ‘hummm, vó, é um peixe muito bom’. Assim, tocada pela curiosidade, fui em busca do pescado que nem sabia que forma tinha, intuindo que fosse pequeno por causa do tamanho dos filés que já tinha experimentado em alguns pratos. Encontrei-os num dos nossos hipermercados, sobre camadas de gelo, alguns mais claros, quase brancos, outros mais róseos, beirando a cor do salmão. Pedi para ver um inteiro e os achei bonitos, mimosos, arredondados, carnudinhos. Solicitei mais informações. O jovem da peixaria, que me atendia, lembrava uma enciclopédia sobre frutos do mar. Com ele aprendi que o Saint Peter é um tipo de peixe parecido à tilápia, mas não pertence à mesma espécie. Sua criação começou em Israel há dez anos, ganhando logo o mundo. Quase não tem espinhos e se presta a múltiplas experimentações na cozinha, da fritura ao assado, passando pela grelha e pela panela onde pode compor até uma peixada. Depois de ouvir o moço pensei que versátil talvez fosse o melhor adjetivo a ser usado para descrever o peixe em suas condições culinárias.

Levei um quilo para casa e fiquei pensando em que receita o inserir, porque sou uma pessoa com este péssimo defeito que é o de querer classificar tudo e depois incluir num modelo já conhecido. Então imaginei que poderia ficar bom com batatas, porque quase todo peixe aceita essa combinação. Alcaparras não deveriam faltar, pois no caso dos filés caem como luva. Pode não ter mais nada sobre um filé grelhado, existindo alcaparras salva-se o prato pois elas dão conta do recado com sua crocância e aroma peculiar . Tomates precisariam entrar para conferir cor, porque os Saint Peter que comprei eram de carne clarinha. Cebola e pimentão como condimento, limão e sal imprescindíveis, um forno bem bom para aquecer e dourar rápido sem queimar. Pronto, era disso que precisava para fazer o meu peixe. O resultado está na ilustração. Dirceu e Elza gostaram. Eu também.

Confira a lista dos ingredientes, siga os passos, retire do forno assim que dourar. Sirva com arroz branco.

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