Filho e neto de músicos, como Mozart, igual a ele menino-prodígio, Bellini ( 1801-1835) cantou uma ária de Fioravanti aos dezoito meses; iniciou-se na teoria musical aos dois anos; tocou piano com desembaraço aos três, assinou sua primeira composição aos seis. Compôs dez óperas em sua curta existência de 34 anos. A mais célebre delas é Norma, da qual a ária Casta Diva tem sido regravada pelas grandes vozes femininas do bel canto.
O libreto que deu origem à obra prima estava construído sobre uma tragédia. Mostrava sedução, ciúme, vingança, duas mulheres disputando um homem, política, poder em jogo, dominação, crianças, mortes no final. A narrativa pré-existente era criação de dramaturgo famoso à época, Alexandre Soumet. O libretista escolhido, Felice Romani, também já se tornara muito conhecido. E para protagonista, a escolhida fora a célebre soprano Giuditta Pasta (1797-1865), que diria depois ter sido este o maior de seus desafios. Até hoje não se contesta o fato, pois Norma continua sendo o papel mais difícil da ópera de todos os tempos, dizem os experts. Depois de Giuditta, viriam Maria Callas, Edita Gruberova, Montserrat Caballé e Joan Sutherland, nessa ordem. Todas personalidades expressivas do cenário operístico. Apesar de toda a qualidade, Norma foi recebida com frieza na noite de 26 de dezembro de 1831, no Scala de Milão. Contudo, semanas depois houve um revertério e a ópera foi aos poucos conquistando o público.
A história desta ópera, mais a morte de seu autor quatro anos depois, contribuíram para criar um certo clima de mistério que para sempre uniu o título ao autor. Assim, quando os sicilianos quiseram homenagear seu conterrâneo, nascido na Catânia, criaram uma pasta diferente de todas as que então se conheciam. Para o molho, misturaram produtos da terra, como beringelas, tomates, ricota e manjericão, combinação perfumada e colorida, que logo ganhou grande aceitação. Deram-lhe o nome de Norma. Não se tem registro de que Bellini tenha degustado o prato. Mas sabe-se que amava a boa mesa. Tanto assim que foi inspirador do coquetel Bellini, um long drink muito apreciado até hoje e que se faz misturando pêssegos maduros e frescos com champagne.
Vamos ao penne, que você pode substituir por outro tipo de massa. Comece pelas beringelas. Elas devem ser cortadas bem finamente, no sentido do comprimento, e colocadas num escorredor, entremeadas de sal grosso. Deixe uma hora, para eliminar o líquido responsável pelo gosto amargo. Depois lave, seque, frite em azeite bem quente, deite sobre papel para que este absorva a gordura excedente, corte em tirinhas. Junte ao molho de tomates previamente preparado (se preferir, use o industrializado). Acrescente a ricota ralada e mexa. Deixe um pouco de ricota para fazer as bolinhas que enfeitarão o prato: unte as mãos, pegue porções com uma colher de chá e modele. Cozinhe o macarrão al dente, em água abundante. Escorra, misture o molho, decore a gosto e sirva imediatamente.
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