“Certas coisas só são amargas se a gente as engole” - Millor Fernandes, jornalista, escritor e artista plástico
Saladas, ensaladas, insalatas, salades, salads: o sal se explicita básico já a partir da etimologia desta palavra que em diferentes idiomas nomeia uma das elaborações culinárias mais antigas do mundo . De onde se fica autorizado a supor que não exista salada sem sal. Mas... será? Non è vero. A nossa, leve e fresca, além de bonita, como você vê na ilustração, é uma das muitas versões da Salada Califórnia e não leva sal, nem azeite, muito menos o usual limão. No entanto, fica ótima embebida pelo molho que se faz misturando mel e balsâmico. O mel de nossa região é um dos melhores do país, pena que seja tão pouco celebrado e divulgado. O aceto balsâmico é importado, compramos nas padarias, mercearias, varejões e supermercados. A quantidade clássica é uma xícara de mel para outra de balsâmico. Como não existem dois paladares exatamente iguais, teste antes de empregar e, se for o caso, altere as proporções. Menos ou mais de cada um desses nobres ingredientes, fique à vontade para combinar e produzir o seu molho.
O bom da salada é que permite a quem a perpetra um largo voo da imaginação. As combinações vão ao infinito e acabam revelando até algum traço de personalidade do autor. Os generosos multiplicam o número dos ingredientes; os mais sóbrios o restringem; os previsíveis buscam composições triviais; os sofisticados procuram elementos mais distintivos que retirem ao prato qualquer viés ordinário.
A nossa leva frutas e um tipo de carne branca a ser misturada às verduras. Escolhi frango, pois tinha sobras de um assado na geladeira e optei por usá-lo, já que estava bem gostoso. Mas ficam perfeitos também o peito de peru defumado ou o blanquet, que sendo carnes brancas combinam com manga. Pois então, a rainha das frutas tropicais confere uma doçura, um perfume e uma textura inigualáveis às saladas de folhas. Como estamos em plena safra, que começou em novembro e vai até janeiro, podemos encontrá-las perfeitas e baratas para entrar no prato. Vale qualquer tipo, rosa, espada, coquinho, ubá, Bourbon e a onipresente Tommy Atkins. São pedaços desta última que você pode ver entremeadas às folhas de alface e tirinhas de frango na foto. A cobertura fica por conta da ricota ralada no lado fino e misturada às passas e a raminhos de salsa crespa. Este é um detalhe que não pode passar batido. O tipo de salsa faz diferença em alguns pratos e o nosso é um deles. Pode-se até usar a comum, mas o charme não será o mesmo .
Por falar em diferença, e já que esta é uma opção de salada para a mesa de Natal, veja como fica bonito enformar os ingredientes e deixá-los uns minutos na geladeira antes de retirar o aro para levar à mesa.
Como entramos em dezembro, vou trazer nos próximos domingos outras sugestões natalinas: bolo de frutas secas, bolachinhas de pinga e rabanadas assadas. Tudo fácil, prático e de bonita apresentação.
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