29 de outubro de 2026
DERROTADO NAS URNAS

Após fuga, Flávio agradece Trump e diz que vai liderar oposição

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/Flávio Bolsonaro
Flávio durante visita a Donald Trump

Após deixar o Brasil, Flávio Bolsonaro (PL) agradeceu a Donald Trump e Javier Milei pelo apoio e afirmou que vai liderar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos. Em carta, o senador voltou a questionar, sem apresentar provas, o resultado das eleições. Ele chegou a se autoproclamar o "verdadeiro presidente eleito".

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No documento, ele também afirma que vai liderar a oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do território norte-americano.

“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu Flávio, em comunicado distribuído à imprensa por sua assessoria.

Na carta, o senador questiona o resultado das eleições brasileiras e afirma, sem apresentar provas, que houve fraude no pleito. Ele também critica a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin, que atendeu a pedidos das campanhas do PL e do PT para estender o horário de votação até as 19h. Ele não cita, porém, que a sua campanha também solicitou ao TSE que o horário de votação fosse prorrogado.

Uma primeira versão do documento trazia as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”. Cerca de meia hora depois, o texto foi alterado, substituindo as referências por “líder do Brasil” e “líder”.

A vitória de Lula também foi reconhecida pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por líderes estrangeiros. O próprio PL, partido de Flávio, reconheceu oficialmente o resultado das urnas.

Flávio contesta horário de votação

Ao criticar a extensão do horário de votação, Flávio afirmou que a decisão judicial teria sido tomada fora da competência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas”, declarou.

O resultado oficial, no entanto, foi reconhecido pelo TSE, que confirmou a vitória de Lula no segundo turno, realizado no domingo (25). O presidente reeleito recebeu cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio obteve pouco mais de 59 milhões.

Segundo dados da apuração, a extensão de duas horas no horário de votação resultou em 34.393 votos contabilizados após as 17h. O pleito teve cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar.

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Senador critica decisão de Moraes

Na carta, Flávio também questionou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático e o proibiu de deixar o país.

A medida foi tomada a pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga em meio a investigações envolvendo o senador.

Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas on-line. O outro apura suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Carta traz brasão com nome antigo do Brasil

A primeira versão da carta também chamou a atenção pelo brasão utilizado no documento. O símbolo trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com a letra “z”, em vez de “República Federativa do Brasil”.

“Estados Unidos do Brasil” foi a denominação oficial do país durante parte do período republicano. A grafia com “z” foi substituída por “s” em 1931. Já a denominação “República Federativa do Brasil” passou a ser adotada em 1967.

Democratas criticam visto concedido a Flávio

A chegada de Flávio aos Estados Unidos também provocou críticas de parlamentares norte-americanos. Nesta quarta-feira (28), o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, questionou a decisão do governo Trump de conceder visto ao senador brasileiro e a seus familiares.

Em publicação na rede social X, o comitê comparou o tratamento dado à família Bolsonaro com a política migratória norte-americana aplicada a pessoas que tentam deixar regiões afetadas por conflitos.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, afirmou o comitê.

A manifestação amplia a repercussão política da viagem de Flávio, que afirma que continuará atuando contra o governo Lula a partir dos Estados Unidos, enquanto responde a investigações em andamento no Brasil.