19 de maio de 2026
SAÚDE MENTAL

Álbum da Copa fortalece vínculos e ajuda saúde mental; Veja como

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Imagem gerada por IA
A febre do álbum da Copa tem incentivado crianças e adolescentes a trocarem as telas por encontros presenciais e novas amizades.

Completar o álbum da Copa vai muito além da paixão pelo futebol. Em meio à rotina dominada por telas e redes sociais, a tradicional troca de figurinhas voltou a criar encontros presenciais, incentivar conversas e fortalecer laços entre crianças e adolescentes. Para profissionais da área da psicologia, esse movimento tem impacto direto na saúde emocional dos jovens.

O hábito de colecionar e negociar figurinhas ajuda a desenvolver habilidades importantes para o cotidiano, como lidar com frustrações, esperar, negociar e interagir socialmente. Em um cenário em que muitos adolescentes relatam sentimentos de vazio, desmotivação e isolamento, a atividade surge como uma forma espontânea de criar vínculos e experiências coletivas.

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Muito além do futebol

Especialistas destacam que o sucesso do álbum está ligado ao sentimento de pertencimento. Na infância e, principalmente, na adolescência, fazer parte de um grupo é essencial para a construção da identidade e da autoestima. A troca de figurinhas cria objetivos compartilhados e aproxima jovens que, muitas vezes, passam grande parte do tempo conectados apenas virtualmente.

Na prática clínica, profissionais observam que muitos adolescentes demonstram dificuldade em enxergar propósito no futuro e relatam sensação constante de indiferença. Nesse contexto, atividades simples e coletivas funcionam como oportunidades de conexão real e ajudam a reduzir o sentimento de invisibilidade social.

Outro ponto observado é que vínculos fora do ambiente familiar atuam como fatores de proteção emocional. A convivência presencial, mesmo em atividades consideradas simples, contribui para diminuir a solidão e estimular o desenvolvimento social.

Como incentivar conexões fora das telas

Para especialistas, os pais podem estimular esses encontros sem transformar a experiência em obrigação. Criar oportunidades para que crianças e adolescentes convivam presencialmente — como organizar rodas de troca, permitir encontros com amigos ou participar da busca por figurinhas — já contribui para fortalecer os laços sociais.

A recomendação também é evitar a superproteção excessiva. Resolver rapidamente todas as dificuldades ou completar o álbum sem que os filhos participem do processo pode impedir experiências importantes de autonomia e aprendizado emocional.

Permitir que crianças e adolescentes lidem com a espera, com a falta de uma figurinha específica e com pequenas frustrações ajuda no amadurecimento emocional e favorece a construção de relações mais saudáveis fora do ambiente digital.