A queda do Bitcoin ganhou força nesta semana e levou a criptomoeda a romper para baixo a marca de US$ 70 mil, patamar que não era visto há cerca de 15 meses. O movimento amplia uma tendência negativa iniciada após o pico registrado em outubro do ano passado e reforça o clima de cautela entre investidores.
Durante a manhã desta quinta-feira (5), o ativo chegou a ser negociado na faixa de US$ 69,8 mil, acumulando uma desvalorização superior a 44% em relação ao topo histórico recente. A perda ocorre em meio a um ambiente global marcado por instabilidade financeira e redução do apetite por risco.
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Embora as bolsas internacionais tenham intensificado as perdas apenas nos últimos dias, o mercado de criptomoedas já vinha demonstrando fragilidade há meses. A correção atual expõe a dificuldade do Bitcoin em sustentar níveis elevados em um cenário de juros altos, liquidez restrita e incertezas macroeconômicas.
O avanço da aversão ao risco afetou desde ações de tecnologia até ativos digitais, reforçando a percepção de que o Bitcoin segue cada vez mais sensível aos movimentos dos mercados tradicionais.
A aceleração da queda também foi impulsionada por liquidações em massa no mercado cripto. Nas últimas 24 horas, mais de US$ 700 milhões em posições compradas foram encerradas automaticamente, aumentando a pressão vendedora e a volatilidade.
Esse tipo de movimento costuma intensificar quedas em períodos de estresse, já que a correção deixa de ser guiada apenas por expectativas e passa a refletir ajustes forçados de posições alavancadas.
Outro ponto de atenção é o comportamento dos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos. Após um breve período de entradas expressivas de capital no início da semana, os fundos passaram a registrar saídas relevantes nas sessões seguintes, sinalizando hesitação entre investidores institucionais.
A oscilação nos fluxos reforça a leitura de que, apesar da presença institucional no mercado, o momento é de maior cautela e menor tolerância a oscilações abruptas.
Com o recuo atual, o Bitcoin voltou a uma região de preços que funcionou como resistência durante grande parte de 2024. A incapacidade de se manter acima de US$ 72 mil aumenta o risco de novas quedas, com analistas observando a possibilidade de o ativo testar faixas ainda mais baixas.
No acumulado do ano, o Bitcoin já registra queda próxima de 20%, enquanto o mercado global de criptomoedas perdeu centenas de bilhões de dólares em valor nas últimas semanas. O cenário reforça a percepção de que o setor atravessa um momento decisivo, em que confiança e estabilidade voltam ao centro do debate entre investidores.