03 de abril de 2026
JANEIRO BRANCO

Atendimentos em saúde mental crescem 28% no Hospital São Vicente

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Dr. Guilherme ressalta que o diagnóstico é feito por exclusão, com critérios para casos mais graves 

Os atendimentos relacionados a transtornos mentais realizados pelo Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) e demais equipamentos administrados pela instituição em Jundiaí registraram um aumento de 28% entre 2024 e 2025, segundo dados da instituição. O aumento de casos ressalta a importância dos cuidados com a saúde mental e das ações do Janeiro Branco, mês que visa sensibilizar a população para esses cuidados.

De acordo com o levantamento, foram contabilizados 4.251 atendimentos em 2024 e 5.480 em 2025, considerando os registros do Pronto-Socorro do HSV e dos Prontos Atendimentos Central, Hortolândia, Retiro e Ponte São João. Os números refletem diagnósticos como transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, fobia social, episódios depressivos, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos de personalidade.

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Para o médico psiquiatra Dr. Guilherme Naco Lima, do Hospital São Vicente, o aumento reflete um cenário de sofrimento psíquico intenso que muitas vezes se manifesta por meio de sintomas físicos. “No pronto atendimento, o paciente raramente chega dizendo que está ansioso. Ele relata medo intenso de morrer, de ter um infarto ou de perder o controle, acompanhado de sintomas físicos muito marcantes”, explica.

Segundo o especialista, crises de ansiedade e pânico costumam ter início súbito e incluem taquicardia, falta de ar, tontura, tremores, formigamentos, sensação de sufocamento e desrealização, além de choro compulsivo ou agitação psicomotora. O pico dos sintomas ocorre em poucos minutos e deixa o paciente exausto.
Guilherme explica que o diagnóstico é sempre um diagnóstico de exclusão e que distinção com quadros mais graves, como o infarto, é feita com base na apresentação clínica e epidemiológica, complementada por exames, iniciando-se sempre pela anamnese detalhada e pelo exame físico.

A diferenciação é feita a partir da análise clínica, histórico do paciente, fatores de risco e resposta a técnicas respiratórias, que costumam aliviar crises de pânico, mas não produzem efeito em casos cardíacos. “A regra de ouro é nunca assumir que o quadro é psicológico antes de descartar causas orgânicas”, afirma.

Acolhimento e tratamento

Uma vez identificada a crise ansiosa, o protocolo hospitalar prioriza acolhimento, monitorização e segurança. Em casos mais graves, pode ser necessária intervenção medicamentosa para interromper o pico da crise, seguida de avaliação psiquiátrica breve.

Para prevenção a médio e longo prazos, o tratamento é multimodal e inclui psicoeducação, psicoterapia, uso de medicamentos contínuos e mudanças no estilo de vida, como melhora do sono, redução de cafeína e prática regular de atividade física.

Rede municipal de atenção

A Secretaria de Promoção da Saúde de Jundiaí informou que o investimento mensal do município na rede de saúde mental é de aproximadamente R$ 1,86 milhão, destinados à manutenção de quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) — sendo dois com funcionamento 24 horas —, além de Serviços Residenciais Terapêuticos, Unidades de Acolhimento e Consultório na Rua. Parte dos recursos é federal, e o restante provém do orçamento municipal.

A pasta esclarece que esse valor não inclui os atendimentos realizados pela Atenção Básica, nem os serviços de urgência e emergência, como SAMU, Prontos Atendimentos e o próprio Hospital São Vicente, cujas ações estão diluídas no conjunto da rede.