O deputado democrata Robert Garcia pediu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que Flávio Bolsonaro seja enviado de volta ao Brasil para responder a investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes. O parlamentar também cobrou explicações do governo de Donald Trump sobre a suposta ajuda da administração americana para levar o político brasileiro ao país.
Garcia, que ocupa o cargo de principal representante da minoria no Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, enviou carta a Rubio questionando as circunstâncias da entrada de Flávio nos Estados Unidos.
Em declaração, o deputado afirmou que Trump estaria mobilizando esforços para favorecer um político brasileiro de extrema direita que perdeu a eleição e é investigado por corrupção. Garcia também defendeu que Rubio explique por que o governo americano teria ajudado Flávio e pediu que ele seja enviado imediatamente ao Brasil para enfrentar a Justiça.
Na carta, o parlamentar criticou a política migratória do governo Trump, afirmando que, enquanto o presidente utiliza o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) contra crianças e trabalhadores que tentam sustentar suas famílias, teria facilitado a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, apesar das investigações contra o brasileiro.
Garcia também questionou possíveis relações políticas entre integrantes do governo americano e Flávio. O deputado mencionou vínculos de autoridades da administração Trump com o político brasileiro, incluindo o próprio Rubio. Além disso, citou conexões entre a antiga empresa do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e uma das investigações criminais em andamento.
O parlamentar afirmou que essas relações levantam dúvidas sobre os motivos para o suposto tratamento especial concedido a Flávio. Ele também cobrou explicações sobre a decisão de receber nos Estados Unidos um político que, segundo sua avaliação, estaria tentando fugir da responsabilização judicial no Brasil.
Íntegra da carta de Robert Garcia
Na carta enviada a Marco Rubio, o deputado Robert Garcia escreveu:
"Enquanto o presidente Trump utiliza o ICE como sua polícia particular para aterrorizar crianças e trabalhadores que se esforçam para sustentar suas famílias e comunidades, ele tem feito de tudo para trazer aos Estados Unidos Flávio Bolsonaro, um político brasileiro desacreditado que é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes graves. Se o presidente afirma que não quer que criminosos entrem nos Estados Unidos, por que permitiu a entrada do senhor Bolsonaro? As ligações de integrantes do governo Trump com o senhor Bolsonaro — incluindo as suas próprias — levantam dúvidas sobre os motivos para conceder a ele um tratamento tão especial. O fato de a antiga empresa do vice-presidente Vance ter conexões com uma das investigações criminais em andamento levanta ainda mais questionamentos sobre possíveis interesses políticos nesse processo. O senhor deve enviar imediatamente o senhor Bolsonaro de volta ao Brasil para que responda à Justiça e estar preparado para explicar por que o governo Trump está recebendo em nosso país um político e agente público corrupto que foge da responsabilização judicial, enquanto aterroriza americanos e residentes legais dos Estados Unidos, que vocês rotularam falsamente como criminosos."
Outras cobranças ao governo Trump
Esta não é a primeira vez que Robert Garcia cobra explicações de integrantes do governo Trump sobre decisões envolvendo investigações criminais e relações internacionais.
Em setembro de 2026, o deputado pediu esclarecimentos a Marco Rubio e ao procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, após denúncias de que ambos teriam ajudado o empresário Alejandro Betancourt, investigado por crimes financeiros, a participar de um plano da administração Trump para obter participação acionária em uma empresa petrolífera venezuelana.
Em agosto de 2025, Garcia também cobrou explicações após relatos de um suposto acordo secreto entre Donald Trump e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Segundo as denúncias mencionadas pelo parlamentar, o entendimento teria resultado na libertação, pelos Estados Unidos, de integrantes considerados perigosos da organização criminosa MS-13, que foram enviados de volta a El Salvador.
Com informações da House Oversight Democrats.