A letalidade policial em São Paulo mantém um padrão que se repete há mais de uma década: a maior parte das vítimas é parda ou preta, do sexo masculino e jovem. É o que mostra o relatório mais recente da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, com dados de 2025.
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O documento analisa as chamadas MDIPs (Mortes Decorrentes de Intervenção Policial) e traça o perfil das vítimas por raça, sexo e faixa etária. Segundo a Ouvidoria, o recorte racial de 2025 segue a tendência observada desde 2013: predominância de vítimas negras, majoritariamente homens.
Das 876 vítimas registradas por letalidade policial em 2025, 422 eram pardas (48,17%) e 79 eram pretas (9,02%). Juntas, as pessoas pretas e pardas somam 501 mortes, o equivalente a 57,19% do total. Vítimas brancas foram 272 (31,05%), e em 103 casos (11,76%) a informação não foi registrada.
Para comparação, o relatório recorre a dados do IBGE de 2022: a população negra representa cerca de 40% dos moradores do estado de São Paulo. Para a Ouvidoria, o contraste evidencia uma sobrerrepresentação estrutural de pessoas negras nas mortes causadas por intervenção policial.
O documento lembra ainda que, entre 2013 e 2025, a média histórica é de aproximadamente 65% de vítimas pretas ou pardas, o que indica a continuidade do padrão racial ao longo dos anos.
Sexo e gênero
Em 2025, o total de vítimas analisado por gênero foi de 859. Desse número, 744 eram homens cis (86,61%) e 10 eram mulheres cis (1,16%). Em 105 registros (12,23%) a informação não foi preenchida. Segundo o relatório, o perfil evidencia forte predominância masculina.
A maioria das vítimas está entre os jovens adultos e adultos. Pessoas de 25 a 39 anos representam 391 mortes (45,52%), seguidas pelas de 18 a 24 anos, com 174 casos (20,26%). Juntas, as duas faixas somam 565 mortes, ou 65,78% do total: quase dois terços das vítimas têm entre 18 e 39 anos.
Os adultos maduros, de 40 a 59 anos, aparecem com 150 mortes (17,46%), e os idosos, de 60 anos ou mais, com 2 (0,23%). Em 121 casos (14,09%) a idade foi ignorada ou não registrada.
Crianças e adolescentes
O relatório adota a classificação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e destaca que o Estado tem o dever legal de proteção integral desse grupo. Em 2025, foram 21 mortes de crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos, ou 2,44% do total.
A distribuição por idade é a seguinte: 10 anos (1 vítima), 14 anos (1), 15 anos (1), 16 anos (7) e 17 anos (11).
Não houve registro de mortes de crianças com menos de 10 anos em 2025, mas a concentração entre adolescentes de 14 a 17 anos, segundo a Ouvidoria, mostra que o grupo continua sendo parte vulnerável das vítimas.
Na comparação com 2024, o relatório aponta que o perfil mudou de forma significativa: naquele ano foram 49 vítimas menores de 18 anos, incluindo o caso do menino Ryan, de 4 anos.
A Ouvidoria da Polícia é o órgão de controle externo das polícias paulistas e recebe denúncias da população. Os dados completos do relatório têm como fonte a própria Ouvidoria.
OVALE e Band Vale realizam fórum de segurança
OVALE e Grupo Band Vale lançam o projeto especial “O Futuro das Cidades”, iniciativa de jornalismo e debate público que tem como foco os desafios e as soluções para os municípios da região.
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