Tarcísio demite mais uma vez PM acusado de matar Leandro Lo
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) demitiu novamente o tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, que matou o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo com um tiro na cabeça, em 2022. Velozo foi absolvido pelo Tribunal do Júri em novembro de 2025.
A decisão foi publicada nesta quarta-feira (21), no Diário Oficial.
O advogado Claudio Dalledone, que defende Velozo, afirmou que vai recorrer da decisão.
A primeira demissão havia ocorrido em setembro de 2025, mas a defesa do policial conseguiu reverter a medida e obteve decisão judicial para reintegrá-lo à corporação em outubro do mesmo ano.
O governo paulista recorreu da decisão e conseguiu manter a demissão mesmo antes da conclusão do trâmite do processo no Tribunal de Justiça Militar.
O PM foi absolvido pelo Tribunal do Júri em novembro de 2025. Velozo ficou preso por três anos no presídio militar Romão Gomes, na zona norte de SP, até ser solto após a decisão. O Ministério Público apresentou um recurso contra a absolvição, que ainda não foi julgado.
Na ocasião, o advogado de Velozo disse que "o reconhecimento da legítima defesa restabeleceu a verdade e alcançou a justiça."
Já o advogado Adriano Vanni, que representa Fatima Lo, mãe do lutador, afirmou ter recorrido da decisão. "Entendemos que existem nulidades capazes de anular o julgamento popular. No mérito, a decisão não merece mais sorte, pois é manifestamente contrária a prova dos autos. Somente um novo julgamento restabelecerá a justiça que esse caso merece".
Após ser solto, Velozo gravou um vídeo dizendo que chegou a uma situação-limite na noite do ocorrido e que teve de "sujar as mãos" para preservar a vida. O tenente pediu perdão à família de Lo.
O caso
Lo tinha 33 anos quando foi assassinado, na madrugada do dia 7 de agosto de 2022. Ele estava em um show do grupo de pagode Pixote, no Esporte Clube Sírio, no bairro Planalto Paulista, quando foi baleado na cabeça pelo tenente Velozo.
A investigação aponta que o policial deixou o local e se dirigiu para um prostíbulo. Depois, acompanhado, foi para um motel na marginal Pinheiros. Ele se entregou à Corregedoria da PM na mesma noite.
Ivã Siqueira Junior, advogado da família do lutador, disse na época do crime que, segundo testemunhas, o desentendimento começou após um homem entrar na roda de amigos de Lo, pegar uma garrafa de bebida e começar a chacoalhá-la. Ao mesmo tempo, o homem estaria encarando o lutador, como forma de provocação.
Lo teria, então, derrubado o homem e o imobilizado. Outras pessoas se aproximaram e separaram a briga, sem ter havido agressões, de acordo com relatos de testemunhas aos quais o advogado da família afirma ter tido acesso.
O homem teria, então, sacado uma arma e, de frente para a vítima, disparado uma única vez na cabeça do lutador, que foi atingido na testa. O atirador teria ainda chutado duas vezes a cabeça de Lo, enquanto este estava caído no chão, segundo colegas do campeão mundial.