Um novo golpe virtual envolvendo o nome da plataforma Mercado Livre está sendo aplicado no Brasil e fazendo vítimas também em Bauru. Dulcinéia Cosmo Leizico, conhecida como Dulce Baté e moradora tradicional do distrito de Tibiriçá, foi uma das vítimas na última semana. No golpe, o criminoso envia uma mensagem pelo WhatsApp: “Bom dia, tudo bem? Precisava de um favor, fiz um cadastro de vendedor no Mercado Livre e me pediram dois números para confirmar meu cadastro. Como confio em você, coloquei o seu OK”. Se a vítima responde, o golpe evolui e pode causar prejuízos em seguida.
Caso a pessoa não responda, o golpista insiste com o envio de outra mensagem: “Conseguiu confirmar meu cadastro com o Mercado Livre?”. Além das mensagens, o golpe também é aplicado por meio de ligação telefônica, na qual o criminoso se passa por atendente do Mercado Livre. Em seguida, ele envia um link pelo WhatsApp para confirmação, com imagens da plataforma. Se a vítima clicar, o telefone pode ser clonado, dando acesso aos aplicativos bancários.
De acordo com Dulce, ela respondeu à mensagem acreditando que se tratava de uma amiga e, depois disso, teve o celular invadido e bloqueado. “Ele travou e não tive mais acesso ao aparelho. No começo, achei que era problema nele”, informou. A partir daí, os problemas começaram. Uma conta bancária dela foi invadida, foram realizados saques e até contratado um empréstimo. O prejuízo chegou a R$ 15 mil.
Por meio dos contatos salvos no celular de Dulce, o golpista começou a entrar em contato com outras pessoas, enviando mensagens variadas e até utilizando a voz dela para aplicar o golpe. Infelizmente, algumas pessoas acreditaram que era Dulce e também foram vítimas. “Um monte de gente caiu no golpe, de São Paulo, Bauru, Minas Gerais e de Brasília”, informou.
“A gente se sente impotente diante da situação. Você não consegue nem refletir. Desde ontem nós estamos aqui, ó, amortecidos, parados”, desabafa. Dulce faz um apelo às pessoas que receberam mensagens em seu nome. “Eu quero pedir para as pessoas que me conhecem e que tenham recebido mensagem em meu nome que não respondam, pois não sou eu quem está enviando. Também quero pedir perdão a elas”, conclui.
A população deve ficar atenta uma vez que a plataforma não envia links e não faz ligações.
Orientações da Polícia Civil
A Polícia Civil orienta a população, especialmente os idosos, a manter uma postura cautelosa diante de mensagens e ligações suspeitas. Ao receber uma mensagem fora do habitual, a recomendação é desconfiar e não clicar em links ou fornecer dados pessoais e bancários. Antes de responder, a pessoa deve procurar um familiar ou alguém de confiança para confirmar a veracidade da mensagem. Também é recomendado não atender ligações de números desconhecidos, principalmente quando o interlocutor solicita informações, códigos ou qualquer tipo de confirmação.
Em caso de dúvida, a população pode buscar orientações preventivas diretamente no Setor de Investigações Gerais (SIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ) ou na Delegacia de Investigações Criminais (DEIC). Denúncias anônimas e pedidos de ajuda podem ser feitos pelo número 197.
Foram essas recomendações, aliadas à ajuda de familiares, que fizeram com que uma idosa de Bauru, que não quis se identificar, não caísse no golpe. Segundo ela, o fato de buscar sempre se informar sobre o que acontece na cidade e no Brasil, além da supervisão de familiares, ajudou a prevenir esse tipo de situação.